Consórcio vencedor de edital de complexo hospitalar em BH recorre de suspensão determinada pela Justiça

Consórcio Saúde Hope tenta reverter paralisação concedida após mandado de segurança da segunda colocada no certame
Complexo de Saúde Padre Eustáquio
Complexo da Fhemig vai funcionar na Gameleira, em BH. Foto: Fhemig/Divulgação

O Consórcio Saúde Hope, vencedor da licitação para a construção do Complexo de Saúde Hospitalar Padre Eustáquio (HoPe), na Gameleira, em Belo Horizonte, apresentou recurso contra a decisão judicial que determinou a suspensão do resultado do edital. A apelação foi protocolada nessa terça-feira (16) junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

A decisão pela suspensão da homologação da vitória do Consórcio Saúde Hope data de 28 de novembro e é assinada pelo desembargador Fábio Torres de Sousa. A sentença, de caráter liminar, atende a um pedido da segunda colocada da concorrência, a OPY Healthcare Gestão de Ativos e Investimentos, que questiona a capacidade técnica do Consórcio Saúde Hope para a realização da obra.

No recurso, a defesa do consórcio vencedor do certame afirma que a suspensão aconteceu “sem qualquer análise de impactos”. O entendimento do Consórcio Hope é que a decisão monocrática gerou efeitos “extremamente nocivos ao interesse público”.

“A suspensão dos efeitos da homologação do resultado da Licitação e da adjudicação do objeto licitado ao Consórcio, decretada de forma precária e fundada em premissa técnica equivocada, interrompe indevidamente um procedimento licitatório estratégico, com repercussões que ultrapassam os limites subjetivos da disputa e alcançam a própria Administração e a coletividade que deveria ser beneficiada pela contratação”, lê-se em trecho da apelação.

Divergência sobre atestados

No mandado de segurança que originou a suspensão do edital, a OPY afirma que o atestado técnico apresentado pelo Consórcio Saúde Hope para comprovar a expertise na construção de espaços hospitalares se basearia em uma obra de 15,9 mil metros quadrados, incluindo áreas não médicas como estabelecimentos, lojas e auditório.

Para demonstrar a capacidade técnica, o Consórcio Saúde Hope enviou documentos referentes à construção de uma unidade de saúde ligada ao grupo Lifecenter. Na visão do desembargador Fábio Sousa, o material não comprovou o cumprimento do requisito previsto no edital.

Nas contrarrazões, o Consórcio Saúde Hope afirma que todas as dependências da unidade do Lifecenter contam com infraestrutura típica de hospitais, como sistemas de climatização, rede de energia estabilizada e geradores, gases medicinais, centrais de resíduos hospitalares e estacionamento unificado para ambulâncias, pacientes e equipes assistenciais.

Ainda segundo o consórcio vencedor, a OPY teria suprimido propositalmente a primeira página do atestado técnico ao anexá-lo ao mandado de segurança. O grupo Hope aponta que o documento apresentaria menção expressa à área total de 70.400 metros quadrados do Complexo Life Center e sua destinação para fins hospitalares.

“A OPY não apresentou prova pré-constituída mínima, além de incorrer em ocultação de trechos, supressão de documentos e narrativa incompleta cuja análise mais detida conduz a entendimento manifestamente oposto ao que veio sendo sustentado e encampado pela decisão proferida em sede de antecipação de tutela recursal”, afirmam.

O projeto

O Complexo Hospitalar foi anunciado em outubro deste ano. Os investimentos previstos giram em torno de R$ 2,4 bilhões. A ideia é integrar, em um mesmo espaço, atividades hoje desenvolvidas no Hospital Alberto Cavalcanti, no Hospital Infantil João Paulo II, no Hospital Eduardo de Menezes e na Maternidade Odete Valadares. O empreendimento também contempla uma unidade do laboratório de análises clínicas da Fundação Ezequiel Dias (Funed).

A estrutura totaliza 86.955 metros quadrados, com hospital público de 532 leitos (110 de UTI), 13 salas cirúrgicas e mais de 60 consultórios especializados.

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