O juiz Michel Curi, preso no final de dezembro por ter, segundo a Polícia Militar, ameaçado a esposa de morte, recebeu mais de R$ 100 mil em remuneração do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) no mês de novembro, o último disponível no portal da transparência da Corte. Com os descontos, o salário líquido ficou em pouco mais de R$ 77 mil.
O valor bruto foi composto por R$ 49.735,34 em vantagens pessoais e R$ 46.439,76 de subsídio. Curi foi aposentado compulsoriamente em agosto de 2025, após a Corregedoria da Corte apresentar pedido de processo por baixa produtividade do juiz, atribuída a motivos de saúde.
O procedimento foi aberto após a realização de um processo administrativo interno no TJMG. Nele, uma perícia apontou a necessidade da aposentadoria por invalidez. Michel Curi atuava no TJMG desde 1997.
Prisão por violência doméstica
A Polícia Militar prendeu Michel Curi no dia 29 de dezembro por violência doméstica, posse ilegal de arma e porte de drogas, segundo a Rádio Itatiaia. O juiz aposentado afirmou, na frente dos policiais, que mataria a esposa, de 41 anos, e a filha, de seis.
A prisão ocorreu na casa do ex-magistrado, no bairro Belvedere, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
A mulher relatou ter sido agredida com socos no rosto e ameaçada de morte com uma arma de fogo. Ela afirmou que o marido é usuário de cocaína e que a criança é filha dele.
Segundo o boletim de ocorrência, Curi se descontrolou e passou a xingar a esposa na frente dos policiais. O juiz aposentado autorizou a entrada da polícia em sua casa. Os militares fizeram uma busca no imóvel e encontraram, no closet, porções de substâncias semelhantes a cocaína e munições de diversos calibres.
A polícia encontrou duas pistolas — uma Taurus de calibre 7,65 e uma Bereta de calibre 6,35, ambas sem registro — e uma porção de maconha no quarto do casal. A criança relatou à polícia ter medo do pai. A mulher foi levada para a UPA Oeste, onde foram constatadas as lesões em seu rosto.
Casos de repercussão nacional
Em 2016, Michel Curi ganhou notoriedade nacional ao realizar uma enquete no Facebook pedindo a opinião de outros juristas sobre uma ação que pedia a suspensão da nomeação de Carolina Pimentel, então primeira-dama de Minas Gerais, como secretária de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social.
No ano passado, foi dele a decisão que extinguiu uma ação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra o deputado federal Aécio Neves por supostas fraudes na construção da Cidade Administrativa.