Consórcio de MG suspeito de irregularidades tem dívida superior a R$ 114 milhões

Cisrun, responsável pela gestão do Samu em cidades do Norte do estado, está na mira do MP de Contas
Foto mostra ambulâncias do Samu
Cisrun, responsável pelo Samu em parte do Norte mineiro, tem pendências tributárias. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Alvo de um inquérito do Ministério Público de Contas de Minas Gerais (MPC-MG) por suspeitas de irregularidades, como funcionários fantasmas e pagamentos em duplicidade de diárias, o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência do Norte de Minas (Cisrun) acumula uma dívida de R$ 114,6 milhões. O valor foi obtido a partir de levantamento de O Fator no site da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Os R$ 114,6 milhões correspondem a dívidas tributárias e previdenciárias. As cifras foram atualizadas pela PGFN na segunda-feira (5).

O Cisrun atua na gestão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em 86 cidades norte-mineiras. A sede do consórcio está em Montes Claros.

O inquérito do MPC-MG sobre o consórcio trata, além das suspeitas de funcionários fantasmas e de sobrepreço nas diárias, de questões como a existência de cargos considerados desnecessários e sem relação com a gestão do Samu e a nomeação de servidores acima do previsto no Protocolo de Intenções da entidade, registrado em cartório. 

Ainda conforme a denúncia que abriu espaço para a investigação, há suspeita de pagamento de salários e gratificações em desacordo com o plano de cargos do consórcio. Segundo o material remetido ao MPC-MG, o número de funções comissionadas saltou de 16 para 62 entre 2015 e o ano retrasado, configurando aumento de 275%.

Onze inscrições

As dívidas do Cisrun registradas na PGFN estão divididas entre onze inscrições. O número de maior passivo acumula débito de R$ 39,7 milhões.

No mês passado, o MPC-MG deu um ultimato ao consórcio por causa da não apresentação de seis documentos solicitados para o prosseguimento da apuração. O órgão se incomodou porque o Cisrun deixou de encaminhar, por exemplo, as folhas de ponto de três servidores investigados.

Também ficaram pendentes as notas de empenho das diárias pagas ao ex-prefeito de Juvenília e ex-presidente do Cisrun, Rômulo Marinho Carneiro, entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, com relatórios e comprovantes das despesas. A mesma documentação foi solicitada em relação a outros servidores, mas não foi apresentada.​

O contrato celebrado com uma fornecedora, as notas de empenho e os comprovantes das despesas dos últimos 12 meses também estavam entre os documentos não enviados.​

O Fator procurou o Cisrun para obter um posicionamento a respeito das dívidas presentes no sistema da PGFN e da apuração do Ministério Público de Contas. O espaço segue aberto.

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