A revelação de que o atual presidente do Conselho de Administração da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e ex-CEO da Aegea, Hamilton Amadeo, firmou um acordo de delação premiada para apontar o pagamento de propinas para favorecer a empresa que comandou deflagrou uma crise política e empresarial em Minas nesta quinta-feira (12).
Reportagem do UOL mostrou que Amadeo confessou ter autorizado o repasse de valores a agentes públicos em diferentes estados, quando ainda dirigia a Aegea, empresa que figura entre as principais interessadas na privatização da Copasa. O leilão das ações do governo mineiro na estatal está em fase de preparação pelo Executivo estadual após aprovação do projeto pela Assembleia Legislativa.
A sessão do Conselho de Administração que vai deliberar sobre a proposta do governo do estado para a privatização está marcada para 23 de fevereiro. O Fator apurou que, diante da delação, setores contrários à venda da empresa estudam acionar o Judiciário a fim de tentar postergar a reunião.
Segundo os documentos citados pelo UOL, Amadeo relatou ter autorizado, em 2012, o envio de R$ 8 milhões a Wilson Carlos, que era secretário do governo de Sérgio Cabral no estado do Rio de Janeiro. O pagamento teria sido condição para a assinatura de um aditivo contratual da concessionária Prolagos, pertencente à Aegea. Ele também detalhou pagamentos em Mato Grosso do Sul, incluindo R$ 3 milhões para quitar dívidas de campanha de, Gilmar Olarte, ex-prefeito de Campo Grande, e R$ 4 milhões destinados à campanha de Alcides Bernal, que também administrou a cidade.
Amadeo afirmou ainda ter se reunido em junho de 2015 com o então governador sul-matogrossense, Reinaldo Azambuja, em Campo Grande, para acertar pessoalmente R$ 2 milhões em despesas eleitorais. O executivo disse ter fornecido aos procuradores detalhes logísticos da viagem e o prefixo da aeronave usada para comprovar o encontro.
Privatização em curso
As revelações ocorrem enquanto o governo de Minas e a Copasa avançam na preparação do leilão de privatização da estatal, previsto para este ano. O projeto, de autoria do governador Romeu Zema (Novo), pretende usar os recursos obtidos na venda para financiar as contrapartidas previstas pelo Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
Antes mesmo da aprovação da proposta, a Aegea já havia procurado deputados estaduais para discutir o interesse em assumir o saneamento mineiro.
Como mostrou O Fator, interlocutores da empresa estiveram na Assembleia ao longo do primeiro semestre de 2025 e, em julho, o atual CEO da Aegea, Radamés Casseb, reafirmou publicamente o interesse da companhia em Minas e disse que a empresa “espera que a decisão sobre o leilão seja tomada” para concorrer formalmente.
O Fator procurou a Copasa para obter comentário a respeito da matéria do UOL. O espaço segue aberto.]