A presença de três bancos estrangeiros na coordenação da futura oferta de ações da Copasa chamou a atenção de interlcoutores, mas não foi casual. A escolha dos gringos Bank of America, Citigroup e UBS BB, este último, resultado da parceria entre o suíço UBS e o Banco do Brasil, tem o objetivo de ampliar o alcance da privatização no mercado internacional e atrair investidores estrangeiros. Itaú e BTG Pactual completam o grupo de coordenadores no processo de privatização, com o BTG designado como líder do processo.
Pelo que O Fator apurou, a definição dos bancos levou em conta áreas de especialização e alcance geográfico. O Citigroup e o Bank of America, por exemplo, são especialistas na prospecção de investidores nos Estados Unidos, enquanto o UBS em contatos na Europa, onde tem capilaridade tradicional no setor financeiro.
A propósito, O Fator apurou que já existem investidores estrangeiros monitorando o processo. Entre os interessados estão a Suez, com apoio da Agence Française de Développement (AFD), e a Veolia Environnement, ambas francesas e com histórico de atuação no setor de saneamento.
O governo mineiro detém 50,03% do capital da Copasa e prepara a venda de parte dessa fatia por meio de uma oferta secundária de ações. A operação faz parte da estratégia de levantamento de recursos para reforçar o caixa estadual e atender às exigências do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
A escolha dos cinco bancos foi formalizada em fato relevante divulgado ao mercado na última sexta-feira (20). O comunicado informou que ainda não há oferta pública em curso e que o processo depende de aprovações societárias, regulatórias e das condições de mercado.
Na segunda-feira (23), durante assembleia, os acionistas da empresa aprovaram uma reforma estatutária com vistas à negociação de ao menos uma parte dos 50,03% detidos pelo governo de Minas Gerais.
Após o aval da assembleia de acionistas à proposta de privatização, eventuais interessados em apresentar ofertas para adquirir parte da porcentagem governamental na Copasa aguardam o edital que vai reger o processo. O documento deve ser publicado no mês que vem.
O pregão será baseado na chamada oferta secundária. Nesse modelo, os recursos arrecadados com a privatização irão diretamente para o caixa do acionista vendedor — no caso, o Palácio Tiradentes. O desenho foi definido a fim de permitir que o Executivo estadual possa aplicar a verba nos investimentos em infraestrutura exigidos pela União por causa da adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
Um dos cenários projetados por Zema para a privatização prevê a manutenção de 5% do capital societário nas mãos do estado. Para isso ocorrer, será preciso fechar acordo com um parceiro de referência.
Por outro lado, a proposta considera a possibilidade de venda total das ações do governo caso não haja um investidor de referência.