Interlocutores próximos ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha afirmaram a O Fator que o ex-parlamentar cogita desistir de disputar uma vaga na Casa por Minas Gerais. O motivo seria a dificuldade em encontrar um partido que aceite sua filiação e ofereça condições estruturais para viabilizar a candidatura.
Cunha não busca apenas uma legenda para registrar sua candidatura, mas também uma que garanta recursos do fundo eleitoral e estrutura de campanha compatível com seus planos políticos.
Até o momento, o ex-deputado tem enfrentado uma série de negativas. A mais recente veio do Avante, partido procurado por meio de seu presidente nacional, o deputado mineiro Luís Tibé. De acordo com integrantes da legenda, pesou o receio de que a chegada do ex-presidente da Câmara pudesse provocar a debandada de filiados do partido.
Cunha ainda mantém conversas com três siglas: PMN, Democracia Cristã (DC) e Republicanos, legenda à qual permanece filiado desde 2022, quando concorreu por São Paulo.
No Republicanos mineiro, entretanto, a possibilidade de uma candidatura do ex-parlamentar divide o partido. Lideranças locais ameaçam deixar a sigla caso o nome de Cunha seja confirmado. Entre os que resistem à ideia está o senador Cleitinho Azevedo, alvo de uma ação movida por Cunha no Supremo Tribunal Federal (STF) após críticas feitas pelo parlamentar durante um ato em Belo Horizonte.
Nos últimos meses, Cunha tem investido muitos recursos e esforços na construção de sua pré-campanha em Minas. Ele intensificou contatos com lideranças políticas e eclesiásticas no interior do estado e ampliou a presença de veículos de comunicação ligados ao seu grupo, incluindo a Rádio Maravilha, de perfil gospel, e franquias da JP News. O ex-presidente da Câmara também tem buscado aproximações com clubes de futebol, associações e prefeituras locais.
O plano de Cunha era obter o apoio de um partido de maior porte por intermédio dos diretórios nacionais, mas, até o momento, nenhuma das articulações produziu resultado concreto.
No fim do ano passado, a ala mais ideológica do PL mineiro atuou junto ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que havia prometido acolhida na legenda, para barrar a entrada de Cunha.
Antes da sondagem sobre a permanência no Republicanos, o ex-parlamentar também chegou a procurar, sem sucesso, Podemos, PP e MDB.