Eleito nesta quarta-feira (4) para o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Tadeu Leite (MDB), disse que pretende continuar à frente do Legislativo até o fim do ano. Ele quer conversar com o governador Romeu Zema (Novo) e com o vice-governador Mateus Simões (PSD) a fim de postergar a posse no novo cargo, mas contou já ter sinalizado a intenção à dupla de modo informal.
Tadeuzinho ainda afirmou que não pretende participar dos debates sobre a construção de candidaturas ao governo de Minas. Embora interlocutores da Assembleia sustentem que o sinal verde à indicação ao TCE dá tempo para o presidente da Casa analisar com mais calma sobre uma eventual participação na disputa pela sucessão de Zema, ele indicou que o objetivo é acompanhar o tema “dos bastidores”.
“Continuo, obviamente, aqui na Assembleia, na discussão político-partidária, até o final da minha legislatura, mas não pretendo me envolver diretamente na discussão de disputa majoritária para o governo de Minas”, pontuou.
O deputado estadual salientou que as tratativas a respeito dos rumos do MDB no pleito são liderados pelo presidente estadual do partido, o deputado federal Newton Cardoso Júnior, que tem reunião programada com o senador Rodrigo Pacheco (ainda no PSD) para tratar da conjuntura eleitoral.
A candidatura de Tadeuzinho ao TCE-MG foi referendada pelos parlamentares por unanimidade. A indicação, agora, tem de ser encaminhada ao Palácio Tiradentes. Posteriormente, é preciso que o ato de nomeação seja publicado no Diário Oficial do Executivo.
Como não há prazo estabelecido para a remessa da correspondência ao Poder vizinho, ele tem caminho aberto para permanecer na Casa até dezembro.
“Minha intenção, vontade e solicitação, vai ser para tomar posse mais para o fim do ano, para concluir a missão que os deputados me deram de presidir a Assembleia até o fim de 2026”, garantiu.
Deputado do PL queria votar em Tadeu para o governo
Durante a sessão em que foi aprovado para compor o TCE-MG, Tadeuzinho recebeu de colegas de Assembleia a sinalização de que apoiariam uma eventual candidatura dele ao governo. O afago veio inclusive de parlamentares do PL, partido que tem indicado não abrir mão de montar um palanque à direita a fim de garantir espaço à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República.
“Fico feliz em ter podido votar em Tadeu Martins Leite (para o TCE), mas o que eu queria mesmo era votar em vossa excelência para o governo do estado”, assinalou o liberal Gustavo Santana, 1° Secretário da Assembleia e filho do ex-deputado José Santana, que é presidente de honra do PL mineiro e assumirá as articulações do diretório estadual em breve, formando dobradinha com o deputado federal Zé Vitor, por ocasião da pré-candidatura do atual líder do diretório, Domingos Sávio, ao Senado Federal.
Antes de decidir pela candidatura à Corte de Contas, Tadeuzinho vinha sinalizando a aliados a intenção de buscar a reeleição na eleição de outubro. Ele chegou a rechaçar sondagens do PSB para concorrer ao Executivo estadual em uma aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Se vossa excelência fosse candidato a governador do estado, conseguiria convergir os opostos ideológicos desta Casa. Conseguiria fazer com que os espectros mais antagônicos, de direita e esquerda, convergissem, tamanha é a habilidade que tem”, afirmou Sargento Rodrigues, também do PL, em direção a Tadeu.
Nessa terça-feira (3), durante a sabatina que antecedeu a votação em plenário, o chefe do Legislativo também recebeu loas de colegas. Um dos que o elogiou foi Noraldino Júnior, do PSB que o sondou para a disputa majoritária. Ele se referiu ao colega como “o deputado que mais ajuda o governo e a oposição”.
Presidente confirma ‘recálculo’ de rota
O requerimento em que Tadeuzinho oficializou a intenção de concorrer ao TCE-MG foi protocolado na semana passada, após debates com colegas. A participação dele na disputa nasceu a partir do temor de alguns deputados de que uma eventual pulverização de candidaturas prejudicasse o ambiente da Casa.
“De vez em quando, nossos cálculos não são os cálculos de Deus. Ou seja: a gente tem de saber os destinos que Ele coloca. Estava pensando em fazer uma outra construção e aguardando para, quem sabe, ter um pouco mais de tempo para tomar uma decisão com um pouco mais de calma, mas, dado o movimento que aconteceu na Casa, abriu uma vaga (no TCE) e praticamente sete deputados começaram a concorrer. Por um movimento dos candidatos e dos 77 deputados, tivemos que fazer esse recálculo. Com muito orgulho, antecipei a decisão e coloquei o nome à disposição do Tribunal”, explicou.
Partido de Tadeuzinho se distancia de Pacheco
O MDB de Tadeuzinho, aliás, tem sido citado como um possível destino para o senador Rodrigo Pacheco em caso de candidatura ao governo. Como a reportagem mostrou mais cedo, contudo, o ex-presidente do Congresso recuou da ideia de embarcar na sigla.
Pacheco pretende comunicar a decisão nesta quarta-feira a Newton Júnior. O encontro também terá a presença de Gabriel Azevedo, alçado ao posto de pré-candidato do MDB mineiro ao governo no fim do ano passado.
Conforme apurou a reportagem, Pacheco dirá aos líderes da legenda que respeita a pré-candidatura de Azevedo, de quem é amigo, ao governo estadual. Também quer afirmar que ainda não definiu se disputará o comando de Minas, mas que o MDB, justamente por já ter um pré-candidato, não pode ser alternativa de filiação neste momento.
