A crítica do vice-governador Mateus Simões (PSD) ao presidente do Republicanos em Minas Gerais, deputado federal Euclydes Pettersen, acelerou, em Brasília, o movimento para oficializar a pré-candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo do estado.
O presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira (SP), trabalha para anunciar o nome na próxima semana e quer a participação de dirigentes da federação formada por União Brasil e PP no ato.
Um deles é Antonio Rueda, presidente do União Brasil. O formato desse anúncio, e se ocorrerá em Minas ou na capital federal, ainda será definido. A informação foi confirmada a O Fator por interlocutores próximos ao comando nacional do partido.
A tentativa de reunir a aliança partidária em um momento simbólico busca contrapor a percepção de que a federação já está alinhada a uma coligação com Simões, cenário que já foi reafirmado pelo secretário de Governo e pré-candidato ao Senado, Marcelo Aro (PP).
Simões afirmou que o Republicanos deveria se preocupar mais com denúncias contra o presidente da sigla em Minas, “que está quase preso pela Polícia Federal”, em vez de discutir a administração do estado.
A declaração foi dada durante agenda em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, na quinta-feira (12). O parlamentar é investigado por suposto envolvimento no “escândalo do INSS”, que apura fraudes em empréstimos consignados a aposentados.
Aliados de Pereira afirmaram que ele ficou surpreso com a fala do vice-governador, já que Simões tenta atrair o apoio do Republicanos. No mesmo evento, aliás, o político do PSD voltou a tentar abrir uma ponte com Cleitinho.
O vice-governador disse que foi vereador na mesma época que o senador, um em Belo Horizonte e o outro em Divinópolis, e afirmou que sempre tiveram afinidades. “Nunca estivemos em lados opostos e espero que não fiquemos agora”, declarou.
Até o início do mês, Simões se apoiava na relação construída com a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), que tem influência sobre os rumos do Republicanos, para tentar atrair a sigla. Ele mencionou essa relação em jantar com deputados estaduais do PSD.
Escalada de embates
Outra leitura da direção nacional é que Simões decidiu “antecipar os ataques” e o clima de artilharia de campanha eleitoral. Com isso, a orientação é não poupar críticas à gestão do governador Romeu Zema (Novo) à frente do estado.
Questionado por O Fator, o deputado federal, a propósito, rebateu Simões. De acordo com ele, Cleitinho tem como promessa de campanha abrir a caixa-preta das isenções fiscais concedidas a empresários em Minas.
“São quase R$ 130 bilhões em jogo. Se tiver algum problema e Cleitinho descobrir, o valor pode superar as fraudes do Banco Master e do INSS juntas”, disparou Euclydes Pettersen.
Republicanos dobra a aposta
Conforme apurado pela reportagem, Euclydes Pettersen não é exatamente um aliado próximo de Marcos Pereira. Pelo contrário. O presidente nacional é mais ligado ao deputado federal Gilberto Abramo, que disputou com o dirigente mineiro o comando da legenda no estado.
Pereira teria dito nos bastidores, contudo, que a relação com Euclydes é pragmática, uma vez que o deputado federal é quem tem hoje capital político e condições de montar uma chapa forte em Minas, com foco na ampliação das bancadas estadual e federal da legenda.
Chapa puro-sangue
Como mostrou O Fator, o presidente nacional do Republicanos avisou correligionários em Minas que quer candidatura própria do partido ao Palácio Tiradentes e pediu ao diretório estadual a apresentação de nomes e cenários para a disputa.
Cleitinho é quem aparece como nome competitivo nas pesquisas, mas interlocutores da sigla e o próprio senador citam o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), como possível integrante da chapa majoritária, em uma composição puro-sangue.
Questão nacional
Por trás da antecipação da oficialização da pré-candidatura, há também cálculo nacional. Sem nome próprio ao Palácio do Planalto, Pereira entende que o partido precisa ocupar espaço em estados estratégicos para ampliar o poder de barganha em 2026.
Minas está nesse mapa. São Paulo também, onde o governador Tarcísio de Freitas tende a disputar a reeleição. A lógica é: quanto mais musculatura nos principais colégios eleitorais, maior o peso da legenda nas negociações nacionais.