Uma ex-funcionária da Prefeitura de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi alvo de operação da Polícia Civil de Minas Gerais, nesta quarta-feira (29), suspeita de manter acesso ilegal ao sistema digital utilizado pela administração municipal para a emissão de multas.
Batizada de “Tira Multa”, a operação investiga irregularidades nas multas aplicadas pela Prefeitura desde 2021. Na casa da suspeita, desligada da administração municipal no começo do ano passado, foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Segundo apurou O Fator, além de computadores e celulares, foram apreendidas armas e drogas.
Uma auditoria interna da Prefeitura realizada este ano encontrou inconsistências nos dados sobre as multas emitidas pelo Município. A estimativa é que os danos ao erário ultrapassem R$ 1,3 milhão. Os relatórios técnicos produzidos pela auditoria foram encaminhados à Polícia Civil e deram origem ao inquérito.
Segundo a investigação, a ex-servidora, então funcionária da Secretaria Municipal de Trânsito, contava com apoio do filho para fraudar o sistema da prefeitura. O homem usava plataformas digitais para oferecer serviços a condutores recém-multados, prometendo redução superior a 50% do valor oficial da infração. Foram 4.445 baixas irregulares, de acordo com o delegado responsável pelo caso, Fábio Lucas Gabrich Cruz.
Medicamentos emagrecedores
Além do conluio dentro da Secretaria Municipal de Trânsito, a polícia descobriu que a ex-servidora participava de um esquema de venda irregular de remédios emagrecedores. As marcas desses remédios não foi informada.
A polícia informou ter apreendido fármacos do tipo de origem estrangeira, sem registro nos órgãos de vigilância sanitária. Segundo o delegado, a mulher confessou que fracionava os medicamentos em seringas de maneira clandestina, sem qualquer formação na área da saúde.
Carros de luxo e dinheiro vivo
A Polícia Civil também apreendeu R$ 11.474 em dinheiro vivo no cumprimento dos mandados em Santa Luzia. Uma caminhonete e uma motocicleta de alta cilindrada, avaliados, juntos, em R$ 160 mil, também foram apreendidos.
Os agentes também apreenderam relógios de luxo, dispositivos eletrônicos de última geração, joias e um grande volume de itens hospitalares, como seringas e agulhas, ligadas à venda clandestina de medicamentos emagrecedores.