O prefeito de Patos de Minas (Alto Paranaíba), Luís Eduardo Falcão (Republicanos), anunciou na tarde desta quinta-feira (2) que deixará o comando da prefeitura e da Associação Mineira de Municípios (AMM). A decisão, a ser anunciada em coletiva de imprensa convocada para o início da tarde, encerra semanas de especulações sobre o futuro político de Falcão.
Falcão renunciou aos cargos para se preparar para as eleições deste ano, embora ainda não saiba qual cargo irá disputar. Na AMM, seu sucessor será o prefeito de Iguatama (Centro-Oeste), Lucas Vieira Lopes (PSB). Em Patos, a função caberá à vice, Sandra Gomes (PL).
Pelo que O Fator apurou, dentro do Republicanos, o plano principal é tentar convencer o senador Cleitinho Azevedo a disputar o governo de Minas, com Falcão como candidato a vice na chapa. Caso esse cenário não se concretize, o atual prefeito deve concorrer ao Senado ou à Câmara dos Deputados.
Nos últimos dias, Falcão intensificou as articulações políticas em Brasília. Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, ele participou de uma série de reuniões para definir os próximos passos, incluindo um encontro com o presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira (SP).
Durante a conversa, Pereira teria orientado o prefeito a se preparar para eventuais “sacrifícios políticos” necessários ao projeto eleitoral do partido. O “aviso” foi no mesmo tom dado a Cleitinho, que ainda não definiu se concorrerá ao comando do estado e já chegou a sugerir Falcão para essa empreitada, mas não recebeu aval do dirigente, que insiste em uma chapa “puro-sangue”.
As discussões também envolveram possíveis alianças com outras legendas. O Fator soube que o União Brasil realizou sondagens junto ao grupo de Cleitinho sobre a composição de uma chapa conjunta. Falcão chegou a manifestar disposição em se filiar ao União para viabilizar o acordo, mas dirigentes do partido avaliaram que a sigla possui nomes próprios para a disputa, como o do presidente estadual, deputado federal Rodrigo de Castro.
Além disso, por integrar uma federação com o PP, as legendas precisam atuar juntas no pleito e, atualmente, é dada como certa a participação de União Brasil e PP na chapa que deve ser encabeçada pelo governador Mateus Simões (PSD) à reeleição. O secretário de Governo de Minas, Marcelo Aro, é pré-candidato ao Senado pelos progressistas.
Outro elemento que tem atrapalhado essas conversas do Republicanos com demais siglas é o fato de Marcos Pereira se mostrar reticente às negociações lideradas pelo grupo de Cleitinho. O dirigente partidário ainda não iniciou, por exemplo, conversas com o PL, que tem buscado saber qual será o posicionamento da sigla neste ano.
O deputado federal diz a aliados que primeiro quer arrumar a casa e formar uma chapa em que o Republicanos tenha protagonismo, mesmo que isso vá contra o que desejam os correligionários. Ainda tem citado a importância de um alinhamento estadual a plano nacional.
A decisão de Falcão foi antecedida por incertezas e adiamentos. A coletiva de imprensa, inicialmente prevista para terça-feira (31), foi postergada duas vezes sob a justificativa de que o prefeito ainda avaliava suas alternativas. O pronunciamento confirmou a tendência de renúncia, apresentada por aliados como necessária diante do prazo legal para desincompatibilização, que se encerra no próximo sábado (4).