Preço do diesel em Minas dispara além da média nacional durante guerra entre EUA e Irã

Dados da ANP analisados por O Fator mostram a realidade da cotação na bomba durante a crise no Oriente Médio
Bomba de combustível ligada em carro de passeio, com frentista ao fundo.
No Brasil e em Minas, o diesel é o combustível que mais sente impactos do conflito até o momento. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

Desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e o Irã, e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz, peça-chave da logística mundial do petróleo, o preço dos combustíveis disparou em todo o mundo, inclusive no Brasil. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) analisados por O Fator mostram que o valor praticado em Minas Gerais teve variação acima da média nacional nesse período.

Entre todas as unidades da federação, apenas o Acre não apresenta flutuação na cotação média de revenda do diesel desde o início da guerra.

Em Minas, o preço médio do diesel nas bombas era de R$ 5,95 na semana anterior ao início do conflito, fechada em 28 de fevereiro. No último levantamento disponível, feito entre os dias 5 e 11 de abril, a ANP registra uma cotação média de R$ 7,42 no estado. Ou seja: houve uma alta de 24,7%. No Brasil, em geral, o reajuste médio do período é de 21%.

Acompanhar a cotação do diesel é fundamental porque se trata do combustível de maior peso na inflação. Além de abastecer parte dos carros de passeio, o óleo é compõe a logística de veículos de carga, como vans, caminhões e carretas. Com o frete mais caro, esse reajuste chega até o consumidor, refletindo nos preços dos alimentos e do comércio em geral.

A alta em Minas além da média nacional é de difícil explicação, já que todo o diesel vendido pelo estado vem da Petrobras, sobretudo da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim. No entanto, o economista do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), Eric Gil Dantas, aponta um problema de todo o Sudeste como principal hipótese.

“Um fator relevante foi o aumento da margem (de lucro) da distribuição e da revenda no Sudeste, que foi bem superior ao do Brasil. Não dá para medir o dado isolado de Minas, já que o maior nível de desagregação do indicador é por regiões”, afirma.

Entre todos os estados brasileiros, o maior impacto da guerra no preço médio do diesel acontece na Bahia, onde a ANP registra alta de 34% na cotação média de revenda. Vale lembrar que o estado vendeu a Refinaria Landulpho Alves, localizada no distrito de Mataripe, em São Francisco do Conde (BA), à iniciativa privada em 2021 – a Petrobras negocia a recompra da unidade, uma das maiores do país.

“Enquanto a Petrobras subiu 12% o preço do Diesel S-10 na refinaria, em Mataripe a subida foi de 87%. Lá, eles acompanham a cotação internacional, o que não é exatamente verdade para a Petrobras. Por isso, na Bahia, tivemos o maior aumento”, explica Eric Gil Dantas.

Projeção

Esta terça-feira (14) amanheceu com uma possibilidade de retomada das negociações por um cessar-fogo definitivo no Oriente Médio, entre EUA e Irã, noticiou a agência internacional Reuters. A novidade fez o barril de petróleo brent (extraído no Reino Unido e na Noruega, um dos principais indicadores do preço do produto no mercado) despencar 4,2% nesta terça, cotado a 95,2 dólares, em consulta feita por O Fator às 14h30.

Mesmo com a queda desta terça, a realidade é bem distante do preço de largada do ano. Em 2 de janeiro, por exemplo, a cotação do dia fechou em 60,75 dólares, o primeiro pregão do ano. Esse mesmo indicador chegou a bater 118 dólares em 31 de março, quando os EUA sobrevoaram o Irã para executar bombardeios.

Ainda com o recente recuo, o economista do Ibeps ouvido pela reportagem não acredita numa queda vertiginosa do preço médio de revenda do diesel nas próximas semanas.

“É pouco provável que os valores voltem aos patamares de 2025 ainda neste ano. Mesmo se chegasse a um acordo formal, a estabilidade é muito frágil. Por exemplo, Israel resiste muito a qualquer tipo de cessar-fogo. Além do mais, os danos a refinarias e estruturas de carga e transporte de petróleo e derivados demorarão muito tempo para voltar ao patamar pré-guerra”, diz.

Outros combustíveis

O Fator também consolidou os impactos do conflito no Oriente Médio para os preços médios da gasolina e do etanol em Minas Gerais. Diferentemente da realidade do diesel, esses combustíveis sentiram algum dano, porém menor.

A gasolina registra alta de 6,8% entre a semana fechada em 28 de fevereiro e o intervalo finalizado em 11 de abril. O preço médio era de R$ 6,07 e subiu para R$ 6,48. A alta percentual, inclusive, é inferior à registrada no cenário nacional, no qual houve aumento de 7,8%.

Já o etanol se manteve praticamente estável no período, com alta de 2,8% em Minas e de 3,6% no Brasil. No Mato Grosso, no Acre e em Goiás, a cotação média do produto caiu no período.

Leia também:

‘Máfia das Próteses’: uma década após operação, STF nega trancamento de ação penal em Montes Claros

A expectativa do mercado para o lançamento da privatização da Copasa

TCU dá mais seis meses para governo revisar contas do Memorial da Anistia

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse