PEC do reajuste da segurança tem vício de iniciativa e precisa ser enviada pelo governo, diz presidente da ALMG

Tadeu Leite elogiou proposta das Câmaras Municipais, mas explicou que, para iniciar tramitação, Executivo tem de remeter texto
Mateus Simões e Tadeu Leite
Tadeuzinho elogiou proposta, mas disse que texto tem de ser enviado por Simões. Foto: Alexandre Netto/ALMG

O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Leite (MDB), disse nesta quinta-feira (23) que, para começar a tramitar na Casa, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que recompõe anualmente os salários dos servidores da segurança pública estadual precisa ter uma versão enviada pelo poder Executivo. Nesta semana, o governador Mateus Simões (PSD) anunciou apoio ao texto, encaminhado ao Parlamento em 2024 por algumas Câmaras Municipais mineiras.

Segundo Tadeuzinho, há vício de iniciativa na proposta remetida pelos Legislativos locais, o que implica a necessidade de reenvio.

“A política remuneratória dos servidores públicos é de competência exclusiva do governador do estado. Neste momento, com esse apoiamento que o governador está dando a essa temática, é aguardar que o governo encaminhe uma nova PEC, para que a gente possa corrigir esse vício de iniciativa, essa inconstitucionalidade. Aí, sim, vamos poder dar sequência e iniciar a tramitação desse tema tão importante a todos os servidores públicos do estado”, afirmou.

Apesar da ponderação, o chefe do Legislativo demonstrou apoio ao debate sobre o tema. Segundo ele, o fato de a PEC estar em banho-maria desde 2024, quando chegou à Casa, não decorre de “falta de vontade” dos parlamentares, mas do já citado vício de iniciativa.

“Aqui na Casa, todo assunto que envolve o servidor público estadual sempre teve prioridade. Tanto é que, em todas as discussões sobre, por exemplo, recomposições e reajustes, diversos parlamentares fazem emendas, tentando aprimorar e melhorar questões para os servidores”, pontuou.

O que diz a PEC?

Segundo a PEC, o reajuste inflacionário anual aconteceria por meio de Lei Delegada editada anualmente pelo Palácio Tiradentes. Estão no escopo da proposta a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros Militar, a Polícia Civil, a Polícia Penal e os agentes socioeducativos.

Como O Fator revelou, o padrinho da proposta é o tenente-coronel da reserva Domingos Sávio de Mendonça, que em 2019 ganhou notoriedade por um áudio com ameaças ao então governador Romeu Zema (Novo).

Mendonça assina o texto de justificativa apensado à matéria apresentada pelas Câmaras Municipais. No material, ele diz que o objetivo é “assegurar, substancialmente, um direito de natureza constitucional, promover estabilidade nas relações entre os servidores públicos e o Estado, abolir a violência patrimonial e psicológica praticada pelo Estado em desfavor de seus servidores públicos”.

Apoio de Nikolas

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) participou dos primeiros passos da articulação ao redor da PEC. O parlamentar intermediou conversas entre o governo do estado e entidades de classe ligadas à segurança para tratar do tema.

Nesta sexta-feira (24), emissários dos sindicatos vão conversar com representantes do Executivo a fim de avançar nas tratativas sobre o texto.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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