A primeira ata de convenção partidária cadastrada em Minas Gerais trouxe uma curiosidade: a ausência de candidatos a deputado federal. Segundo o presidente do diretório estadual do Democrata, o ex-deputado estadual João Júnior, isso aconteceu porque a legenda não tem acesso a recursos robustos via fundo eleitoral. Assim, a sigla apresentou apenas postulantes à Assembleia Legislativa (ALMG).
“Não conseguimos organizar, porque é uma chapa mais pesada. Não temos (muito) fundo eleitoral. Para federal, fica mais complicado, porque os candidatos procuram partidos com fundo eleitoral maior”, afirmou, a O Fator.
Conforme a ata cadastrada no TSE, o Democrata terá 46 candidatos à ALMG, entre eles o próprio João Júnior.
“Estamos bem confiantes. É uma chapa equilibrada, com bons nomes. Estamos confiantes para conquistar duas ou três cadeiras”, garantiu.
De acordo com o TSE, a executiva nacional do Democrata tem à disposição R$ 3,4 milhões via Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). O recurso diz respeito à fatia igualitária destinada pelo Tribunal a cada legenda, mediante ao mero registro da agremiação.
Como o partido não tem cadeira no Congresso Nacional, só recebe essa fatia igualitária — uma cota de 2% do fundo dividida entre os 30 partidos atualmente com registro regular no TSE.
Para efeito de comparação, o PL, dono da maior bancada federal, receberá R$ 886,8 milhões por meio do mesmo mecanismo.
Wellington Magalhães
Anteriormente chamado de Partido da Mulher Brasileira (PMB), o Democrata tem o ex-presidente da Câmara de BH, Wellington Magalhães, como vice-presidente em Minas. Apesar disso, João Júnior, atual comandante da legenda no estado, nega interferência do ex-vereador na formação da chapa.
“Ele não quis participar das tratativas. Quis ficar fora dessa eleição. Não interferiu em nada. A chapa foi formada pelos próprios candidatos”, disse o ex-deputado estadual sobre o correligionário.
Apoios indefinidos
Posicionado à direita do espectro político, o Democrata aguarda as convenções dos outros partidos para definir quem vai apoiar nas corridas pelo governo de Minas e pelas duas cadeiras em disputa no Senado Federal.
“O nosso campo é da direita. A gente vai encontrar um caminho dentro desse campo. Vamos aguardar o fim das convenções”, explicou João Júnior.
Apesar dessa indefinição, a ata do partido deixa claro que os candidatos não poderão apoiar nomes da esquerda. “Os convencionais, por unanimidade dos seus membros presentes, delegam à Comissão Executiva Estadual do Democrata em Minas Gerais poderes […] para declarar apoio para candidaturas majoritárias, sendo terminantemente vedado, sob qualquer hipótese ou circunstância, o apoio a candidatos de esquerda”.
A indefinição sobre a candidatura ou não do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é a maior razão da indefinição do partido. Até o momento, o único pré-candidato certo da centro-direita é o governador Mateus Simões (PSD). O PL estuda lançar o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, ou o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, em um cenário sem Cleitinho.