Governo federal reconhece dívida de R$ 81 milhões com empresa pública mineira

Acordo entre as partes foi homologado pelo STF; valor será usado para quitar dívidas da companhia com a Receita Federal
A fachada da Prodemge
Recursos provenientes de acordo serão aplicados em dívidas tributárias da Prodemge. Foto: Divulgação

O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou, nessa segunda-feira (14), um acordo parcial entre a União e a Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Prodemge). Com isso, o governo federal reconheceu uma dívida de ao menos R$ 81,3 milhões com a empresa pública. A decisão é do ministro André Mendonça.

O dinheiro é fruto de cobranças indevidas de IOF e Imposto de Renda por parte do governo federal, entre junho de 2019 e maio de 2024.

A verba, no entanto, não entrará no caixa da Prodemge. O montante será usado para pagamento de outros débitos contraídos pela empresa pública, referentes a tributos relacionados à Receita Federal.

Porém, ainda permanece em discussão o valor real da dívida entre União e Prodemge. O governo de Minas alega que o débito exato atinge a marca de R$ 96,4 milhões, cerca de R$ 15 milhões a mais do que o homologado parcialmente por Mendonça.

Honorários

Além do valor da dívida, o acordo garante pagamento de R$ 3,1 milhões a dois advogados que defenderam a Prodemge no processo.

Como o valor total do débito ainda pode aumentar, diante da diferença nos cálculos da Prodemge e da União, esses honorários ainda podem crescer em aproximadamente R$ 400 mil.

Imunidade tributária

Como mostrou O Fator em setembro do ano passado, o STF garantiu imunidade tributária à Prodemge, o que garantiu a restituição mínima de R$ 81 milhões citada acima.

O governo federal chegou a apresentar recurso, mas a Corte Suprema negou.

A discussão na Suprema Corte envolveu a chamada imunidade tributária recíproca, prevista no artigo 150 da Constituição Federal, que impede a cobrança de impostos entre diferentes esferas de governo sobre patrimônio, renda ou serviços. A Prodemge alegou que, por ser empresa estatal vinculada ao governo mineiro, estaria amparada pela regra.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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