O que derrubou a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas e o novo espaço pleiteado pelo Republicanos

Meses de indefinição, um recado duro de aliados em Brasília e a decisão de não ficar refém de um único nome selaram o desfecho
Na foto, o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), o presidente estadual da legenda em Minas Gerais, deputado federal Euclydes Pettersen, e o senador Cleitinho Azevedo.
Marcos Pereira, Euclydes Pettersen e Cleitinho Azevedo. O Republicanos atribuiu à falta de definição do senador a decisão de não lançar a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas. Fotos: Júlio Dutra/Republicanos

As horas que antecederam o anúncio do Republicanos de desistência da candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas Gerais reuniram a pressão de legendas aliadas e o entendimento interno de que a autoridade do partido estava desgastada pelo vaivém do senador.

A nova empreitada da sigla, pelo que apurou O Fator, envolve agora as escolhas de nomes para o posto de vice e para as duas vagas ao Senado na chapa que deve ser encabeçada pelo deputado federal Marcelo Aro (PP). Uma delas já está destinada ao deputado federal Domingos Sávio (PL). O PL, contudo, também não descarta ter o posto de vice.

A pressão pela definição e o acerto do encaminhamento partiram das direções nacionais do PL e da federação formada por PP e União Brasil. Como mostrou a reportagem, o grupo se reuniu na véspera, em Brasília, e passou um recado duro ao presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), que participou por telefone.

Outra rodada de conversas entre o grupo está marcada para esta quarta-feira (29).

O anúncio sobre Cleitinho saiu na manhã desta quarta-feira, a poucos dias do encerramento do prazo para as convenções partidárias, em 5 de agosto. O desfecho veio depois de meses de adiamentos, período em que o senador chegou a condicionar a resposta ao fim da Copa do Mundo e, em seguida, transferiu o prazo para agosto.

Desde a morte do irmão, em 18 de julho, o senador não atendia ligações nem respondia mensagens. Ao mesmo tempo, publicava no Instagram conteúdos que davam a entender que seria candidato, leitura reforçada em falas feitas por familiares. E, tudo isso, sem conhecimento dos caciques da sigla.

A ofensiva da véspera

No encontro em Brasília, interlocutores telefonaram para Marcos Pereira e defenderam uma definição sem novos adiamentos. Participaram das conversas o senador Rogério Marinho (PL-RN), o presidente do PL em Minas, deputado federal Zé Vitor, Domingos Sávio, o presidente licenciado da Federação das Indústrias (Fiemg) Flávio Roscoe e o próprio Marcelo Aro.

Pereira também acumulava insatisfação com a demora de Cleitinho em definir se disputaria o governo. O desgaste foi ampliado por críticas públicas feitas pelo senador ao presidente nacional do Republicanos, que, apesar disso, aguardou uma decisão do correligionário por considerar seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto, nas quais aparece na liderança.

Foi justamente o sumiço de Cleitinho e os recados públicos de que apenas ele e o Republicanos anunciariam uma decisão e conduziriam o processo que levaram lideranças de outras legendas a sustentar, nos bastidores, que a autoridade do partido estava sendo colocada em xeque e que, mesmo em caso de vitória, o Republicanos corria o risco de ficar em segundo plano.

Para essas lideranças, o anúncio feito pelo Republicanos serviu para demarcar autonomia dos comandos das direções estadual e nacional do partido. Aliados avaliavam que o arco de alianças estava perto de ser fechado e que apenas a “posição de um homem” travava os demais acordos.

A indefinição também emperrava as candidaturas proporcionais, já que os pré-candidatos a deputado federal e estadual dependiam da definição da chapa majoritária para acertar palanques e alianças antes da convenção.

No comunicado que oficializou o rompimento, assinado pelo presidente estadual da sigla, o deputado federal Euclydes Pettersen, o partido afirmou que a possibilidade de candidatura “não foi correspondida até o dia da convenção estadual”, realizada no fim de semana.

“(…) uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo”, diz trecho do comunicado.

O novo desenho da chapa

Com a saída de Cleitinho, o Republicanos passou a apoiar a candidatura encabeçada por Marcelo Aro, até então cotado para o Senado. A federação PP e União Brasil já havia lançado o ex-secretário como pré-candidato à Casa Alta.

Na reunião da véspera, de acordo com a apuração, ficou acertado que o Republicanos ficaria com a vaga de vice-governador e com uma das duas cadeiras ao Senado. A outra seguiria com Domingos Sávio. O PL, contudo, ainda não descarta a vaga de vice.

No arranjo antes tratado como prioritário pelo PL, com Cleitinho no governo, as duas vagas ao Senado ficariam com Domingos Sávio e Marcelo Aro, ponto que gerava divergências entre o PL e a federação, já que os dois entendiam que dialogariam com o mesmo eleitorado, apesar de o eleitor ter dois votos ao Senado neste ano.

Agora, num cenário com Aro na cabeça de chapa, essa divergência se pacificaria.

A costura também atende, principalmente, ao interesse do PL de garantir um palanque competitivo em Minas para a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, no segundo maior colégio eleitoral do país. Uma aliança nacional entre os liberais, a federação e o Republicanos, porém, ficou para depois.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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