O Republicanos de Minas Gerais anunciou, nesta quarta-feira (29), que o senador Cleitinho Azevedo não será candidato ao governo do estado. A legenda afirma que esteve pronta para disputar a eleição, mas diz que o projeto nunca foi formalmente assumido por quem deveria liderá-lo.
A informação também foi confirmada a O Fator pelo presidente nacional da sigla, o deputado federal Marcos Pereira (SP), que acumula insatisfação com a postura do correligionário. E, como a reportagem mostrou, ontem recebeu um recado duro de lideranças do União Brasil, PP e PL.
No comunicado, assinado pelo presidente estadual da sigla, o deputado federal Euclydes Pettersen, o partido afirma que “sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade” de Cleitinho disputar o governo, mas que esse movimento “não foi correspondido até o dia da convenção estadual”, ocorrida no sábado (25).
Com a decisão, o Republicanos passa a se alinhar à construção de uma candidatura encabeçada pelo ex-secretário de Estado de Governo de Minas, Marcelo Aro (PP). A decisão ocorre em meio à pressão de aliados por uma definição diante do prazo para as convenções partidárias, que se encerra em 5 de agosto.
A legenda relata que, ao longo dos últimos meses, manteve “diálogo aberto”, ofereceu “as condições políticas necessárias” e trabalhou na articulação de alianças para viabilizar a candidatura. Segundo Pettersen, “diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura”.
Apesar disso, o dirigente sustenta que não houve formalização por parte do senador. “Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu”.
“Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo. O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”, diz a nota.
O Republicanos mineiro declarou ainda que respeita “a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo”, mas afirma ter o dever de conduzir seu projeto político com “responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira”.
Pressão
O PL, que tinha Cleitinho como plano A, intensificou nesta semana a cobrança por uma definição do senador. O PL e a federação União Brasil-PP também passaram a reivindicar uma definição. Nessa terça-feira (28), lideranças das agremiações se reuniram em Brasília (DF) para debater alternativas, alinhando o nome de Aro como alternativa ao congressista.
O encontro contou com lideranças como o senador Rogério Marinho (PL-RN), o presidente do PL em Minas, deputado federal Zé Vitor, o deputado Domingos Sávio (PL), o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe, além do próprio Marcelo Aro.
Durante a reunião, interlocutores conversaram por telefone com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e defenderam a necessidade de uma definição imediata. Um encontro entre os dois, inclusive, foi ventilado para ocorrer nesta quarta-feira, como mostrou O Fator.
Nos bastidores, dirigentes partidários vinham relatando insatisfação com a indefinição de Cleitinho, que, segundo interlocutores, não vinha respondendo a contatos recentes. Diante do impasse, ganhou força o plano alternativo de lançar Marcelo Aro como candidato ao governo, com apoio do PL e possibilidade de composição com o Republicanos.
Inicialmente cotado para disputar o Senado, Aro passou a ser considerado como cabeça de chapa em um cenário de rearranjo das alianças. A mudança também busca acomodar a disputa pelas vagas ao Senado e garantir um palanque competitivo em Minas Gerais na eleição presidencial.
Leia na íntegra a nota do diretório do Republicanos de Minas Gerais:
“O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen afirma que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo pela legenda. Este entusiasmo, porém, não foi correspondido até o dia da Convenção Estadual, ocorrida dia 25 de julho.
Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador. Em razão dessa expectativa, diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura.
Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.
Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.
O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.
O Republicanos respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas também tem o dever de conduzir seu projeto político com responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira.
Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.
Republicanos de Minas Gerais“