Juiz determina a suspensão de concessão hospitalar que já teve contrato assinado em BH

Decisão de magistrado do TJMG trata de novo complexo de saúde na Gameleira, cuja PPP foi celebrada em junho
Projeto do complexo hospitalar na Gameleira
Governo de Minas quer complexo hospitalar na Gameleira. Foto: Divulgação

O juiz Wenderson de Souza Lima, da 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte, expediu liminar determinando a suspensão de atos relativos à concretização da concessão do Complexo de Saúde Hospitalar Padre Eustáquio (HoPe), na Gameleira. A decisão, no entanto, foi proferida quase dois meses após a assinatura do contrato entre o governo do estado e o consórcio vencedor da concorrência.

A cautelar de Lima é do início da noite dessa terça-feira (28), no âmbito de ação proferida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A parceria público-privada (PPP) foi firmada junto ao Consórcio Saúde HoPe, composto pelas empresas Integra Brasil, Oncomed Centro de Prevenção e Tratamento de Doenças Neoplásicas e B2U Participações.

O Fator apurou que, pelo fato da decisão determinar a paralisação de movimentos como a assinatura contratual, o que já ocorreu, o Executivo deve, por meio de recurso, apontar que o despacho aborda uma questão superada.

Quando ajuizou a ação, o MPMG alegou que o estado não tem norma regulamentadora de concessões desde 2017, quando houve a revogação de uma lei de 2003 sobre parcerias público-privadas (PPPs). 

A tese de ausência de legislação autorizativa foi acolhida por Lima na decisão. Segundo ele, o prosseguimento da licitação pode “levar a uma situação de fato consumado, cuja reversão futura seria extremamente danosa e complexa”.

O HoPe é a aposta da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) para unificar, em um único endereço, os atendimentos realizados nos hospitais Eduardo de Menezes, João Paulo II e Alberto Cavalcanti. 

Pelo projeto, a Maternidade Odete Valadares também será transferida para o empreendimento, localizado na área do antigo Galba Veloso. Também há previsão de espaço para o laboratório central da Fundação Ezequiel Dias (Funed).

Outra decisão

Wenderson de Souza Lima expediu outra decisão relacionada à Fhemig nessa terça-feira. 

Na segunda sentença, ele confirmou liminar do ano passado ordenando a reabertura do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), no Santa Efigênia, em BH. A casa de saúde já vinha funcionando desde a cautelar.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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