O secretário de Estado de Governo de Minas Gerais, Castellar Neto, deixou o cargo nesta quinta-feira (30) e se despediu de colegas do primeiro escalão pelo WhatsApp. O recado foi enviado pouco depois da reunião em que o ex-secretário Marcelo Aro (PP), aliado de Castellar, comunicou ao governador Mateus Simões (PSD) que será candidato ao Executivo estadual, selando o rompimento entre ambos.
“Meus amigos, com muita gratidão no coração, eu me despeço do governo. Ao longo dos últimos meses, tive o privilégio de trabalhar e, sobretudo, aprender com todos vocês. Saio em paz, com a convicção que dei o melhor que pude. Aos governadores Zema e Mateus Simões, meus sinceros agradecimentos. Fico à disposição de todos, quaisquer que sejam os nossos caminhos. Grande abraço. Até breve”, escreveu.
Castellar também participou do encontro entre Aro e Simões. A aliança entre os grupos políticos começou em 2021.
Aro vinha sendo estimulado a disputar o Palácio Tiradentes por dirigentes de partidos como PL, Republicanos, União Brasil-PP e PRD-Solidariedade, que passaram a defender seu nome diante da indefinição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre entrar ou não na corrida.
A formalização da candidatura levou o governo a preparar a saída de aliados ligados ao ex-secretário. Desde o início da semana, o Executivo já preparava um levantamento sobre a exoneração em massa que irá ocorrer.
A Secretaria de Estado de Governo é o braço responsável pela relação do Executivo com a Assembleia Legislativa, prefeitos e lideranças políticas em todo o estado. A expectativa é de que o ex-deputado estadual Gustavo Corrêa, aliado de Simões, assuma a pasta.
Articulação de Simões com o MDB
Do lado do governo, Mateus Simões tenta ampliar apoio e evitar isolamento. Ainda nesta quinta-feira, antes de se encontrar com Aro, ele tomou café com Gabriel Azevedo em uma padaria na região Centro-Sul de Belo Horizonte, num gesto para aproximar o MDB do Palácio Tiradentes.
Na semana retrasada, o governador também se reuniu com o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, e com o ex-presidente Michel Temer, mas o MDB ainda não definiu qual lado apoiará em Minas, já que Gabriel mantém a pré-candidatura e influência sobre as decisões locais.