O desembarque do grupo do ex-secretário Marcelo Aro (PP) do governo de Minas Gerais pode produzir efeitos na Assembleia Legislativa (ALMG). Na avaliação de parlamentares que compõem a federação União Brasil-PP — a mesma de Aro —, a tendência é que os representantes das duas legendas acabem se distanciando da base de Mateus Simões (PSD).
O posicionamento, contudo, só será definido após conversas internas, que devem contar com Aro. Até o fim da manhã desta quinta-feira, os deputados da coalizão não haviam recebido orientação formal sobre a questão.
Como O Fator mostrou, o ex-chefe das pastas de Governo e da Casa Civil se reuniu com Simões mais cedo, em Belo Horizonte, para informar a saída de seus aliados de cargos que ocupam no Executivo. A decisão foi tomada porque Aro deve concorrer ao Palácio Tiradentes.
União e PP possuem 13 das 77 cadeiras da Assembleia. Mesmo que haja o distanciamento da base do Executivo, a federação não deixará o bloco Minas em Frente, que possui orientação governista e é encabeçado pelo PSD de Simões. Isso porque o regimento interno da Assembleia só permite a mudança de bloco ou a criação de bancada independente no início dos anos legislativos.
As versões
Ao anunciar o rompimento com Marcelo Aro, Mateus Simões disse que o ex-aliado manifestou, na reunião derradeira entre ambos, incômodo com o fato de o senador Carlos Viana ter se filiado ao PSD para concorrer à reeleição. Antes de recalcular a rota e passar a considerar a participação na corrida rumo ao Executivo, Aro trabalhava para pleitear uma vaga no Senado Federal.
“A decepção acaba perseguindo a gente na política, porque lidamos com gente de todos os tipos. Mas no caso dele especificamente, que foi meu aluno, a decepção é um pouco maior, porque foi abrigado no governo durante quatro anos. (Aro) perdeu a eleição lá atrás e veio para o governo, exerceu posições importantes: Casa Civil e Secretaria de Governo”, afirmou.
Na visão de aliados de Aro, houve quebra de acordo a partir do embarque de Viana no partido de Simões, o que justificaria o fim da relação e afastaria a tese de traição. O ex-secretário acumula desgastes com o senador desde os tempos em que eram colegas no PHS e já havia dado declarações públicas garantindo que não dividiria palanque com o ex-correligionário.
No Palácio Tiradentes, a primeira saída confirmada é a de Castellar Neto, que sucedeu Aro na pasta de Governo. Ele se despediu dos colegas de primeiro escalão por meio de mensagem no grupo que os reúne no WhatsApp.