O Republicanos retomou as negociações com o PL para uma aliança na disputa pelo governo de Minas Gerais e, ao mesmo tempo, o entorno do senador Cleitinho Azevedo passou a traçar estratégias para cada possível desfecho do impasse com a direção nacional da legenda.
As convenções partidárias foram encerradas na quarta-feira (5), mas as legendas têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral. É justamente nesse intervalo que o grupo de Cleitinho pretende concentrar esforços para mantê-lo na disputa. Paralelamente, aliados já estruturam uma alternativa caso a direção nacional do Republicanos inviabilize sua candidatura.
PL reabre negociações, mas mantém exigência
As conversas entre PL e Republicanos foram retomadas na manhã desta quinta-feira (6), após dias de impasse. Segundo apurou O Fator, uma das alternativas prevê uma chapa encabeçada pelo empresário Flávio Roscoe (PL), com o ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) Luís Eduardo Falcão (Republicanos) como vice-governador.
O formato, entretanto, enfrenta resistência. O Republicanos quer preservar a indicação ao comando do estado. Já o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro avalia que um eventual apoio a um candidato republicano ao governo só ocorreria se o nome fosse o de Cleitinho. Na visão desses dirigentes, uma candidatura de Falcão não produziria um fato político capaz de justificar a inversão da chapa.
A análise do PL leva em conta também um pedido do candidato do partido à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), de ter um palanque forte no estado, segundo maior colégio eleitoral do país. Além de Flávio, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tem atuado para tentar fechar um acordo.
O desejo de Falcão
A busca do Republicanos por uma alternativa interna a Cleitinho ganhou força diante da resistência do presidente nacional da sigla, Marcos Pereira (SP), em bancar a candidatura do senador ao Palácio Tiradentes. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, Falcão foi procurado por Pereira para encabeçar a chapa, mas recusou a proposta por manter o projeto de disputar a vice-governadoria.
Com o impasse nas legendas de direita, aliados de Cleitinho decidiram levar sua candidatura até o limite do calendário eleitoral. A orientação é evitar qualquer gesto que possa ser interpretado como desistência. A estratégia é fazer com que, se a candidatura for barrada, o desgaste recaia sobre a direção nacional do Republicanos.
Nos bastidores, integrantes da legenda entendem que, encerradas as convenções, a margem de atuação da executiva nacional ficou mais restrita. Nesse cenário, uma eventual intervenção no diretório estadual é apontada como o principal instrumento para alterar os rumos da disputa antes do registro definitivo das candidaturas.
O clã Azevedo
A despeito dos dirigentes partidários, a família Azevedo também estruturou uma estratégia para chamar de sua. Segundo apurou O Fator, caso o senador seja impedido de concorrer ao governo, o clã defenderá que a candidatura seja assumida pelo ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Republicanos), irmão gêmeo de Cleitinho.
As negociações entre PL e Republicanos também envolveram o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL). Pessoas próximas à família dizem que o nome do parlamentar foi levado a Flávio Roscoe como opção para a vaga de vice-governador. Eduardo, porém, comunicou que não pretende integrar outro projeto político enquanto a candidatura do irmão permanecer em construção.