O acordo extrajudicial que a Samarco negocia com prefeituras atingidas por tragédia de Mariana

Mineradoras e prefeitos se reúnem em Belo Horizonte para discutir repasses diretos sem intermediação do TRF-6
Comunidade de Paracatu de Baixo devastada pela lama da Tragédia de Mariana
Comunidade de Paracatu de Baixo foi devastada pela lama da Tragédia de Mariana. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Representantes das mineradores Samarco, Vale e BHP Billiton se reúnem nesta sexta-feira (14) com prefeitos de cidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, para discutir um possível acordo de investimentos direto entre as empresas e os municípios de forma extrajudicial.

A conversa acontece fora da repactuação assinada em 2024 e não terá a participação do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6). A negociação não tratará de novos recursos nem de mudanças nos valores já definidos para a reparação.

Pelo que O Fator apurou, a Samarco tenta construir um entendimento direto com as prefeituras. A ideia é regularizar a relação entre a empresa e municípios onde há interesse da mineradora ou algum tipo de impacto ligado às atividades da companhia.

A negociação também não envolve apenas as 23 cidades que ainda não aderiram à repactuação. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a proposta é mais ampla e vai alcançar outros municípios atingidos.

Um representante envolvido nas conversas informou que a reunião não abordará novos investimentos ou dinheiro extra em troca da adesão ao acordo de 2024.

Segundo a fonte, os municípios que ainda não assinaram a repactuação podem receber mais rapidamente os recursos que já foram previstos no acordo. Para isso, precisam aderir formalmente aos termos definidos em 2024..

Na semana passada, como mostrou O Fator, prefeitos de municípios mineiros atingidos pelo desastre se reuniram com representantes das mineradoras no TRF-6. Na ocasião, a pauta era a adesão de cidades que ficaram fora do acordo de 2024.

O Consórcio Público para Defesa e Revitalização do Rio Doce (Coridoce) pediu a nova rodada de conversas porque parte dos 23 municípios atingidos ainda não aderiram à repactuação. Cerca de 19 deles demonstraram interesse em assinar.

O acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2024 prevê mais de R$ 130 bilhões para medidas de reparação. Desse total, R$ 100 bilhões são destinados a órgãos públicos para ações ambientais e sociais. Os municípios recebem recursos ao longo de 20 anos, de acordo com os danos registrados em cada cidade.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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