Tempo de TV: saiba como fica a distribuição entre os candidatos ao governo de Minas

No total, apenas seis dos 11 postulantes ao cargo terão algum espaço na programação da TV aberta e das rádios
Pessoa segurando controle remoto com o aviso do horário eleitoral gratuito na TV ao fundo, desfocado
Horário eleitoral gratuito se inicia nesta segunda-feira (17). Foto: Caroline Pacheco/Famecos/PUC-RS.

Candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD) terá o maior tempo de TV no horário eleitoral gratuito entre os candidatos ao governo de Minas Gerais neste ano, segundo projeção feita por O Fator com base nas coligações de cada concorrente, oficializadas nesse sábado (15). 

Patrus Ananias (PT) e Flávio Roscoe (PL) aparecem em segundo e terceiro lugares, seguidos Cleitinho Azevedo (Republicanos), Gabriel Azevedo (MDB) e Alexandre Kalil (PDT).  

O horário eleitoral terá nove minutos de duração para governadores e será exibido às segundas, quartas e sextas-feiras, entre 28 de agosto e 1º de outubro, sempre das 13h16 às 13h25; e das 20h46 às 20h55, na TV aberta. No rádio, o programa vai ao ar nos mesmos dias, mas das 7h16 às 7h25; e das 12h16 às 12h25. 

Com as federações entre União Brasil e PP e entre PRD e Solidariedade em sua coligação, além do Avante e do PSD, Mateus Simões terá 30,8% do bloco para apresentar suas propostas. O percentual corresponde a dois minutos e 46 segundos.

Depois dele, quem mais terá tempo de TV é Patrus Ananias. Além da federação formada por seu partido, pelo PV e pelo PCdoB, o ex-prefeito de BH conta com PSB e a federação Psol-Rede em sua coligação, o que lhe rende um minuto e 55 segundos do horário — 21,3% da fatia total. 

Com tempo semelhante ao de Patrus, o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Flávio Roscoe vem em terceiro lugar. Ele terá 19% do horário eleitoral gratuito — um minuto e 42 segundos em cada bloco. O espaço é referente apenas ao tamanho da bancada liberal na Câmara dos Deputados, já que Roscoe não tem coligação.

Líder das pesquisas, Cleitinho Azevedo aparece na sequência, com 12,4% do bloco de nove minutos. Assim, o senador terá um minuto e sete segundos para falar com o eleitor. O tempo é referente aos tamanhos das bancadas da própria legenda e do Podemos, que integra a coligação.

Alexandre Kalil e Gabriel Azevedo terão menos de um minuto no horário eleitoral. Enquanto o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) utilizará 48 segundos (8,9% do tempo total), o ex-prefeito da capital terá 41 segundos (7,7%). Gabriel conta apenas com o MDB, enquanto Kalil trabalhará com a bancada pedetista e com a federação entre PSDB e Cidadania.

Ben Mendes (Missão), Henrique Áreas (PCO), Indira Xavier (Unidade Popular), Professor Túlio Lopes (PCB) e Rafael Duda (PSTU) não terão tempo de TV no horário eleitoral gratuito.

Inserções diárias

Além do bloco de nove minutos, que é exibido de uma só vez às segundas, quartas e sextas-feiras, os candidatos têm direito às inserções diárias, durante a programação da TV aberta.  

Essas inserções somam 14 minutos no total. Novamente, a divisão do tempo respeita o tamanho das bancadas de cada coligação na Câmara dos Deputados, portanto Mateus Simões continua liderando essa divisão de tempo. 

No total, ele terá quatro minutos e 19 segundos por dia para falar com o eleitor a partir das inserções diárias. Patrus Ananias, por sua vez, dois minutos e 59 segundos. Flávio Roscoe terá dois minutos e 39 segundos, enquanto Cleitinho um minuto e 44 segundos.

Na sequência, aparecem Gabriel Azevedo com um minuto e 15 segundos e Alexandre Kalil com um minuto e quatro segundos.

Critérios

De acordo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas partidos que superaram a cláusula de desempenho têm direito ao tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão. Essa regra, estabelecida pela Emenda Constitucional 97/2017, fixa um número mínimo de votos válidos e deputados eleitos para que as legendas tenham direito ao horário eleitoral e ao fundo para financiamento de campanhas.

Para o cálculo do tempo de propaganda eleitoral gratuita, o TSE considerou 510 deputados federais eleitos por partidos e federações que atenderam aos requisitos constitucionais. A Câmara tem 513 deputados, mas o cálculo desconsiderou três deputados cujos partidos não atenderam aos requisitos da cláusula de barreira.

Do tempo total, 90% é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos em 2022 em cada coligação eleitoral. Os 10% restantes são divididos igualmente entre os partidos.

Segundo o TSE, a federação formada por União Brasil e PP possui a maior bancada considerada para esse cálculo, com 104 deputados federais. Em seguida, aparecem o PL, com 98 parlamentares; a federação entre PT, PCdoB e PV, com 81; o PSD, com 42 deputados e o MDB e o Republicanos, com 41 cada. 

O Podemos tem 20, enquanto a federação PSDB e Cidadania conta com 18 cadeiras. Na sequência, aparecem PDT (16); PSB e a federação Psol-Rede (15); a federação PRD e Solidariedade (12); e o Avante (sete deputados federais).

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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