Governo de Minas desiste de republicar edital de concessão de rodovias do Vetor Norte

Com a decisão, Executivo pediu para deixar Mesa de Conciliação instalada pelo Tribunal de Contas; sessão ocorreria nesta semana
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MG-010 estava em edital de concessões paralisado pelo TCE. Foto: Seinfra/Divulgação

O governo de Minas Gerais desistiu de republicar o edital de concessão de rodovias estaduais do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A informação consta em ofício enviado pelo Executivo ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e obtido por O Fator.

No memorando, remetido na quinta-feira (13), o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Pedro Bruno, também oficializa pedido de saída da Mesa de Conciliação instalada pela Corte de Contas para debater o caso. A mediação foi proposta em abril do ano passado, após o Tribunal suspender a concorrência. A suspensão ocorreu depois de deputados de oposição ao Palácio Tiradentes apresentarem representação com críticas à licitação.

A Mesa de Conciliação entre o governo e os parlamentares oposicionistas estava agendada para esta terça-feira (18). Procurado, o TCE-MG confirmou que, diante da decisão do governo de não republicar o edital, cancelou a reunião.

O lote de rodovias presente na versão original da licitação possui 124 quilômetros por diferentes cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O Executivo desenhou modelo baseado na colocação de 12 pórticos de pedágio ao longo das faixas que seriam concedidas. Os dispositivos calculariam a tarifa devida pelos motoristas conforme o tamanho do trecho percorrido.

Governo alega mudanças ‘significativas’

No documento em que solicita o desembarque da Mesa de Conciliação, o governo de Minas afirma que a decisão foi tomada porque as circunstâncias que motivaram a abertura da ferramenta de diálogo “se alteraram de forma significativa, não mais se justificando o prosseguimento da via consensual”. 

“Diante da mudança do quadro fático, o Estado não pretende prosseguir com a republicação do edital da Concorrência Internacional n. 001/2025, circunstância que retira a utilidade da manutenção da Mesa de Conciliação”, diz Pedro Bruno.

Nos bastidores, interlocutores da pasta de Infraestrutura apontam demora do Tribunal em agendar a conciliação, que ficou por cerca de um ano em modo espera.

Relembre o caso

A decisão do TCE-MG pela interrupção do edital do Vetor Norte teve, inicialmente, caráter monocrático. A liminar, assinada pelo conselheiro Agostinho Patrus, foi posteriormente referendada pelo Pleno.

Ao justificar a posição, Agostinho apontou inconsistências nos documentos enviados pelo Executivo estadual para embasar a necessidade de abertura da concorrência. Ele mencionou que a etapa destinada às audiências públicas prévias teve equívocos.

As sessões de debate ocorreram apenas em dois dias e em formato exclusivamente presencial, na Cidade Administrativa e em Vespasiano. O Tribunal apontou que a divulgação foi insuficiente e que tal formato inviabilizou a participação de moradores dos 12 municípios diretamente impactados pelo projeto 

No voto, Agostinho determinou que o edital não fosse republicado até a realização de novos estudos sobre o projeto e a convocação de novas audiências. Os encontros, salientou, deveriam acontecer em formato híbrido, com ampla divulgação e com ao menos uma edição em cada uma das cidades abrangidas pela proposta.

A intenção inicial do Palácio Tiradentes era promover o leilão rodoviário em junho do ano passado. O Executivo tentou recorrer ao Tribunal de Justiça (TJMG) para reverter a decisão do TCE, mas não obteve sucesso.

Oposição comemora

Em nota, os deputados da oposição à administração estadual comemoraram a decisão do Executivo de se retirar da Mesa de Conciliação.

Segundo o grupo, o plano para as rodovias do Vetor Norte “afrontava o direito de ir e vir da população trabalhadora e ameaçava a economia de 12 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte”. Ainda conforme a coalizão, o edital era “tecnicamente falho e construído sem diálogo com a comunidade e socialmente inaceitável”.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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