O município de Mariana aderiu ao Acordo de Repactuação da tragédia ocorrida na cidade em 2015, apurou O Fator. Com a decisão, a cidade vai receber R$ 1,2 bilhão de Vale e BHP e outros R$ 1,2 bilhão da Samarco.
O montante sinalizado pela Samarco foi crucial para que as mineradoras conseguissem a aderência do município ao Acordo. Até então, Mariana travava uma disputa há anos com as empresas para conseguir uma compensação maior pelos danos causados pelo rompimento da barragem do Fundão, de propriedade da Samarco – uma joint venture da Vale e da BHP.
A entrada de Mariana no Acordo está vinculada à desistência do município nas ações sobre o tema na Justiça inglesa. Com isso, o escritório Pogust Goodhead, que representa os atingidos no Reino Unido, perde um de seus principais clientes.
A homologação do Acordo pode acontecer ainda nesta quarta-feira (19), antes de o desembargador Ricardo Rabelo assumir a presidência do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6). O magistrado foi um dos responsáveis por mediar as negociações.
A estratégia das empresas de apresentar, por meio da Samarco, uma proposta paralela de investimento nos municípios da Bacia do Rio Doce deu gás às negociações.
Todas as cidades atingidas receberam propostas no início do mês, sendo que no caso de 46 o valor investimentos em infraestrutura será igual a 35% das quantias definidas no Acordo. As exceções são Mariana, Governador Valadares e Ouro Preto, que mantinham negociações individuais com as empresas.
Conforme O Fator noticiou, além de Mariana, outras 18 cidades confirmaram até a tarde desta quarta-feira (19) que vão aderir ao acordo. Apenas Ouro Preto e Colatina (ES) resolveram ficar de fora do tratado, enquanto Resplendor e Governador Valadares ainda negociam os termos.