A insatisfação interna com a divisão do fundo eleitoral no PDT

A executiva nacional e o diretório estadual do partido já distribuíram cerca de R$ 10,4 milhões em Minas
Mário Heringer e Alexandre Kalil, ambos de terno, com bandeira do PDT ao fundo
O deputado federal Mário Heringer e o candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil receberam a maior parte dos repasses do PDT até aqui. Foto: reprodução/PDT-MG.

Há uma insatisfação interna no PDT por conta de promessas até aqui não cumpridas para financiamento das campanhas. O Fator apurou que ainda não há qualquer ameaça de renúncia, mas interlocutores da legenda garantem que a distribuição até aqui desigual do fundo eleitoral desagrada. 

De acordo com os dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a executiva nacional e o diretório estadual do PDT distribuíram R$ 10,4 milhões para 16 candidatos em Minas Gerais até o momento. A maior parte desse dinheiro seguiu para o ex-prefeito de BH Alexandre Kalil, candidato da agremiação ao governo de Minas — R$ 7 milhões.

Em segundo lugar, aparece o deputado federal Mário Heringer, atual presidente do PDT em Minas e candidato à reeleição. Ele recebeu R$ 1,5 milhão da executiva nacional e mais R$ 20 mil do diretório estadual — o único repasse da comissão mineira até o momento.

Pelo que apurou a reportagem, a insatisfação parte, principalmente, da chapa montada pelo PDT para concorrer a vagas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Não houve repasse registrado no TSE para nenhum dos 65 concorrentes pedetistas à ALMG até esta segunda-feira (31).

Outra queixa é sobre a desigualdade das transferências para homens e mulheres, segundo interlocutores. Até aqui, das 16 candidaturas financiadas com algum recurso, somente três são femininas — Jaqueline Brasil (R$ 60 mil), Bethânia Reis (R$ 50 mil) e Tia Bel (R$ 20 mil). 

O valor somado para as mulheres — R$ 130 mil — corresponde a cerca de 1% da distribuição pedetista até o momento.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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