Os R$ 5 milhões destinados a aliados de Nikolas que geraram ciúmes no PL

Distribuição do Fundo Eleitoral para nove candidatos próximos ao deputado provoca incômodo entre integrantes da chapa do PL
Nikolas em Plenário
Nikolas Ferreira nega ter influenciado a distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral (Foto: CAMARA/REPRODUÇÃO)

Uma ala do PL está incomodada com a distribuição do fundo eleitoral entre candidatos ligados ao deputado federal Nikolas Ferreira. Os R$ 5,04 milhões repassados a nove nomes da chapa de concorrentes a deputado estadual são vistos internamente como parte de uma estratégia para formar, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), uma bancada alinhada ao parlamentar. A reclamação é de que a concentração dos recursos estaria deixando em segundo plano candidaturas que não contam com a benção de Nikolas.

Os recursos vieram do Fundo Eleitoral, administrado pela direção nacional do PL. Os nove candidatos receberam valores entre R$ 550 mil e R$ 570 mil. Marcelo Heitor ficou com R$ 550 mil. Ugleno Alves, Roberta Lopes, Ivson Gomes, Anderson Lima, Raphael de Paulo, Samuel Caires e Pedro Luiz ficaram com R$ 560 mil.

Já Pablo Almeida, ex-chefe de gabinete de Nikolas, teve direito a R$ 570 mil oriundos da Executiva federal, além de R$ 55 mil encaminhados pela direção estadual.

Nikolas, por sua vez, nega influência na distribuição (Leia o posicionamento ao fim deste texto).

Aliados dele contestam a interpretação e diz que não houve a concessão de privilégios. Para embasar o argumento, citam que houve repasses volumosos a candidatos de outros setores do PL.

Um dos casos mencionados é o de Marília Amaral, que ficou com R$ 700 mil. Estreante na disputa pela Assembleia, ela é esposa do deputado federal Junio Amaral. Outra situação apontada é a de Marli Ribeiro, que tentará um novo mandato e conseguiu aporte de R$ 695 mil via Fundo Eleitoral dos liberais.

O grupo lembra ainda casos de outros concorrentes à reeleição, como Bruno Engler e Sargento Rodrigues, que receberam R$ 495 mil cada. O montante também é considerado significativo internamente.

Os argumentos dos queixosos

Nos bastidores, a distribuição é explicada como parte de um projeto político do deputado para transformar sua força eleitoral em presença na Assembleia. O plano, segundo fontes ouvidas pela reportagem, é ajudar a eleger deputados estaduais de seu círculo político e ampliar sua influência dentro da Casa.

A divisão, porém, provocou reação entre candidatos da legenda. A O Fator, integrantes da chapa questionaram o que consideram um desequilíbrio no fatiamento dos recursos e afirmaram que a concentração pode prejudicar inclusive a reeleição de nomes que já ocupam cadeiras na Assembleia.

O desenho foi discutido internamente com a participação do próprio Nikolas. A direção do PL, por sua vez, justifica os valores pela estratégia eleitoral. Segundo dirigentes, candidaturas ligadas ao deputado são consideradas mais competitivas diante de sua capacidade de transferir votos.

O que diz Nikolas Ferreira?

Em resposta a O Fator, Nikolas confirmou que a divisão dos valores foi uma decisão interna do partido.

“Não tem nada a ver com apadrinhamento. Tem a ver com potencial de chapa de cada candidato”, disse, por meio da assessoria.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

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