CSN segue concorrentes e anuncia redução na produção de minério de ferro

Segunda maior mineradora de ferro do Brasil vai diminuir produção de planta em Ouro Preto
Foto mostra a mina Casa de Pedra, em Congonhas
Mina da CSN em Congonhas Foto: CSN/Divulgação

A CSN Mineração, segunda maior produtora de minério de ferro do Brasil, anunciou nesta terça-feira (29) que vai reduzir sua produção nos próximos dias. A redução é mais uma anunciada no mercado de minério de ferro nas últimas semanas, motivadas sobretudo pelo aumento no preço do frete marítimo.

De acordo com o comunicado da CSN, a empresa vai reduzir a produção de minério de baixa qualidade da sua planta de beneficiamento a seco do complexo de Pires, no município de Ouro Preto.

A companhia atrela a redução ao “cenário mercadológico mais apertado e pressionado pela alta do custo de frete”. “Essa medida pode ser revertida a qualquer momento, sem maiores consequências, mas desde que as condições de mercado garantam margens melhores para esse tipo de minério”, diz. 

Em função da redução, a CSN alterou suas estimativas divulgadas anteriormente. Agora, segundo a empresa, o volume de produção e de compras de minérios de terceiros para 2026 será entre 39 milhões de toneladas e 41 milhões, ante 45 milhões e 47 milhões anteriormente. 

O Fator apurou que a empresa prevê uma queda ainda maior até o final do ano.

Além disso, o custo de produção da tonelada agora será de US$ 25 a US$ 26, ante US$ 22 e US$ 23,5 anteriormente.

O anúncio da CSN aponta para uma crise acentuada no mercado de minério de ferro. Até então, apenas mineradoras pequenas e médias haviam anunciado a redução da produção, principalmente aquelas que não contam com estrutura própria de escoamento, como ferrovias e portos.

A origem da crise está sobretudo no frete marítimo, cujo preço disparou após o início da guerra no Irã. No mesmo período do ano passado, o frete Tubarão – Qingdao, principal índice de referência do mercado, era cotado em cerca de US$ 19 por tonelada, mas hoje é precificado em cerca de US$ 40.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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