STF cassa decisão que obrigou Ben Mendes a excluir vídeo sobre acusação de espancamento contra PM

Candidato ao governo de Minas havia removido o conteúdo do YouTube sob pena de multa diária de R$ 10 mil
Ben Mendes em frente a presídio em Minas
Ben Mendes se candidatou pela primeira vez neste ano. Foto: reprodução/Instagram.

O Supremo Tribunal Federal (STF) cassou, nessa quarta-feira (30), uma decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que havia determinado a retirada do ar de um vídeo do candidato ao governo do estado Ben Mendes (Missão). Publicado no YouTube, o conteúdo tratava de um processo judicial no qual um policial militar é acusado de espancamento em uma academia de Betim, na Grande BH. 

O ministro Gilmar Mendes entendeu que a Vara Plantonista do TJMG ignorou um julgamento de 2009 do STF, que declarou a antiga Lei de Imprensa (Lei 5.250/1967) incompatível com a Constituição de 1988.

Na decisão anterior, o juízo de segunda instância considerou uma normativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), baseada na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), para sustentar que Ben Mendes não poderia divulgar no YouTube “recortes e trechos de voz e imagem colhidos durante uma audiência de instrução judiciária”.

Por isso, o TJMG chegou a determinar multa diária de R$ 10 mil em caso de não remoção do conteúdo. A infração tinha limitação de R$ 100 mil.

Para Gilmar, no entanto, o julgamento do plantão judiciário não poderia se basear em normas do CNJ, pois só cabe ao Conselho competências administrativas e financeiras, portanto sem peso sobre decisões.

Além de cassar a decisão anterior, o ministro do Supremo determinou que o TJMG reanalise o caso com base no julgamento de 2009, que estabeleceu a jurisprudência para casos do tipo.

Publicado há quatro meses, o vídeo do canal “Ben Mendes TV” soma 272 mil visualizações. O conteúdo, porém, está fora do ar e com comentários desativados desde a decisão da Justiça mineira, agora cassada por Gilmar.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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