O deputado federal Domingos Sávio (PL) e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) venceram a disputa mais embolada de Minas nas eleições de 2026 e foram eleitos senadores. A campanha foi marcada por candidatos colados nas pesquisas até a véspera da votação e por parceiros de chapa que não pediram voto um para o outro.
O resultado foi confirmado neste domingo (4) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Domingos aparece com 24,3% dos votos válidos, e Marília, com 19,39%. Os eleitos tomam posse em fevereiro de 2027 para mandatos de oito anos, até 2035.
O resultado renova as duas cadeiras em jogo, hoje ocupadas por Carlos Viana (PSD) e por Renzo Braz (PP), suplente que assumiu a vaga de Rodrigo Pacheco (PSB) após a renúncia para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).
A terceira cadeira de Minas é do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito em 2022 e com mandato até 2031. Como ele disputa o governo do estado e desponta à frente nas urnas, a vaga pode mudar de mãos. Se Cleitinho for eleito governador, assume o primeiro suplente, o empresário Alex Diniz (PL).
Viana, que tentava a reeleição, ficou na terceira posição. Na sequência, vieram Áurea Carolina (Psol), Marcelo Aro (PP) e Marco Antônio Superman (Novo). O ex-governador Aécio Neves, do PSDB, amartou a sétima colocação.
Domingos Sávio (PL)
Deputado federal desde 2011 e ex-prefeito de Divinópolis, Domingos Sávio foi o principal nome da direita na disputa. Ele foi apresentado na campanha como o candidato escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
O PL tratou a candidatura como prioridade desde o início das negociações em Minas. Como mostrou O Fator, o partido não quis indicar um segundo nome ao Senado para não criar concorrência com o deputado.
O ex-tucano manteve apoio unânime dentro da legenda, que se dividiu apenas sobre o segundo voto. Ele também liderou o ranking de repasses partidários entre os candidatos mineiros ao Senado.
Marília Campos (PT)
Ex-prefeita de Contagem, Marília Campos foi o nome de Lula para o Senado em Minas. O PT chegou a cogitá-la para o governo, mas ela recusou o convite e colocou o Senado como sua única disponibilidade política em 2026.
A campanha ficou marcada pela relação ruim com a companheira de chapa, Áurea Carolina (PSOL). Como mostrou O Fator, a petista manteve distância em parte das agendas e, em outras ocasiões, desaconselhou a presença da aliada.
Em vez de puxar votos para a parceira, Marília ampliou as opções de segundo voto com dobradinhas informais fora da chapa, entre elas a “Marécio”, com Aécio Neves. O movimento preocupou parte da própria base petista.
O receio era de que a estratégia se voltasse contra ela. Em uma disputa apertada por duas vagas, cada segundo voto dado a um adversário competitivo o aproximava da petista. Aliados temiam que, somado ao chamado voto útil da direita em dois nomes, o cálculo deixasse Marília fora do Senado.
Carlos Viana (PSD)
Único dos sete que tentou a reeleição, Carlos Viana mudou outra vez de partido. Trocou o Podemos pelo PSD para ocupar uma vaga na chapa do governador Mateus Simões (PSD), que lhe deu palanque.
Na reta final, mudou também de lado na eleição presidencial. Largou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), candidato do próprio partido, e declarou apoio a Flávio Bolsonaro no primeiro turno, sem romper com Simões.
O gesto mirava o segundo voto do eleitor bolsonarista. Funcionou em parte. O candidato do PL ao governo, Flávio Roscoe, incluiu Viana em sua colinha, e Eduardo Bolsonaro compartilhou uma lista com o nome do senador.
O deputado federal mineiro Nikolas Ferreira (PL), porém, o rejeitou. Ele divulgou vídeos que apontavam contradições do senador, nos últimos anos, sobre o apoio a Jair Bolsonaro e pediu votos a Superman.