O deputado estadual Arlen Santiago (MDB) apostou em uma estratégia incomum para a eleição deste ano: além de buscar a reeleição para o oitavo mandato, lançou a filha, Laís Santiago (PDT), para o mesmo cargo. Ela foi eleita; ele, não.
A dobradinha ficou apenas no papel porque o MDB, a despeito dos 70 mil votos recebidos por Arlen, não conseguiu nenhum assento. A última vaga na Casa ficou com o Democrata, cujo vitorioso, Cabo Gregório Silva, obteve 38,2 mil votos.
Gregório levou a melhor sobre Arlen porque a chapa do Democrata somou 181,7 mil votos, ante 125,8 mil da nominata emedebista, a melhor posicionada entre as que não levaram nenhuma cadeira.
“Infelizmente, a composição da chapa não foi suficiente para garantir a minha eleição, mas fico feliz com o resultado e com o reconhecimento que recebemos das urnas”, diz o parlamentar, a O Fator.
Arlen, que preside a Comissão de Saúde da Assembleia, admite que a tática escolhida ampliou a possibilidade de revés.
“Entrei no último dia na chapa do MDB e sabia dos riscos de concorrer ao mesmo cargo que minha filha, mas decidi lutar até o fim”, afirmou.
Recorde negativo
Como a reportagem já mostrou, a próxima legislatura será a primeira sem a presença do MDB desde o registro da primeira versão do partido, em 1966, sob o bipartidarismo imposto pelo regime militar.
Os 70,7 mil votos de Arlen representam mais de 56% de toda a votação da chapa emedebista, que já vinha sendo alvo de críticas internamente pela falta de nomes competitivos. O segundo melhor desempenho do partido na corrida à Assembleia foi de Cleitinho, um homônimo do governador eleito, que angariou 9,9 mil votos.
Passando o bastão
Laís Santiago, por sua vez, ficou com 79 mil votos.
“Estou preparada para esse novo desafio e quero honrar também a história construída pelo meu pai ao longo de sete mandatos”, projeta.