Quanto o governo de Minas prevê gastar com o Propag no ano que vem

Levantamento de O Fator a partir do projeto de Lei Orçamentária para 2027 considera parcelas mensais e aporte em fundo federativo
A Cidade Administrativa de Minas
Governo do estado paga dívida por meio do Propag desde janeiro. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

O governo de Minas Gerais prevê desembolso de cerca de R$ 4,56 bilhões com despesas ligadas ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) no ano que vem. O valor considera as parcelas pagas mensalmente à União e o aporte no Fundo de Equalização Financeira (FEF), criado para compensar estados com boa situação fiscal ante o governo federal.

A projeção financeira consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2027, que ficou pronto para ser enviado à Assembleia Legislativa (ALMG) no final da semana passada e foi obtido por O Fator.

Conforme o material, que ainda não foi lido em plenário e, por isso, não chegou aos gabinetes dos deputados estaduais, as prestações do Propag correspondem a quase R$ 2,66 bilhões. A cifra leva em conta a amortização do passivo e os encargos.

O aporte projetado no FEF, por sua vez, é de aproximadamente R$ 1,9 bilhão. 

Os R$ 4,56 bilhões não consideram os empréstimos que Minas voltou a pagar a reboque da adesão ao Propag. O plano de refinanciamento da dívida com a União determina a quitação de operações de crédito junto a instituições como bancos de fomento e entidades multilaterais de desenvolvimento. 

A título de exemplo, a peça orçamentária do ano que vem calcula a necessidade de reservar R$ 1,84 bilhão para prestações de empréstimos firmados com credores estrangeiros, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Credit Suisse. No entanto, como esses valores não vão para o caixa da União e tampouco são direcionados ao FEF, não entram na conta feita pela reportagem.

Dívida está em R$ 187,5 bi

Conforme atualização fornecida pela Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) em 30 de setembro, a dívida mineira com a União está em R$ 187,51 bilhões.

Minas assinou o contrato do Propag no fim de dezembro do ano passado. Como O Fator mostrou duas semanas atrás, de janeiro para cá, o estado usou R$ 931,44 milhões para arcar com as parcelas.

De acordo com a PLOA de 2027, os depósitos mensais na conta do Tesouro Nacional têm a incidência apenas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sem o acréscimo de juros reais. O formato é tido como mais vantajoso que o do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), utilizado pelo estado entre outubro do ano retrasado e dezembro de 2025. No RRF, o passivo era corrigido por uma fórmula que considerava, além do IPCA, juros de 4%.

Minas ainda busca abater R$ 35,8 bilhões de sua dívida por meio da federalização de ativos. O rol de bens que podem ser envolvidos na negociação ainda está sob análise da União e considera, por exemplo, recebíveis do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), créditos reconhecidos judicialmente e participações societárias detidas pelo Executivo estadual em empresas como a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge).

Governador eleito quer mudança na aplicação de recursos

O governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos), que vai assumir o lugar de Mateus Simões (PSD) em 5 de janeiro, tem defendido uma mudança na lógica de aplicação dos recursos repassados por Minas à União no âmbito do Propag. 

O futuro chefe do Executivo deseja que as cifras das parcelas mensais sejam totalmente aplicadas em obras no estado. Cleitinho levou a ideia ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem declarou apoio no 2° turno, que também tem o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Embora Flávio tenha concordado publicamente com a proposta, interlocutores a par do Propag veem obstáculos para que o plano saia do papel: uma mudança do tipo teria de ser aplicada a todos os estados aderentes ao refinanciamento, o que poderia inviabilizar a ideia da equipe econômica do candidato de promover um corte de gastos.

Déficit aumenta em segunda versão do Orçamento

Como O Fator mostrou na sexta-feira (9), o rombo nas contas públicas previsto para 2027 é de cerca de R$ 10,5 bilhões. Inicialmente, o Palácio Tiradentes previa déficit de quase R$ 8,9 bilhões. O governo chegou a remeter à ALMG uma versão do Orçamento com a primeira estimativa de prejuízo, mas encaminhou um substitutivo com os cálculos refeitos.

A mudança decorreu da decisão de recompor o orçamento do Tribunal de Justiça (TJMG). O atendimento à base pedida pela Corte fará as despesas, anteriormente fixadas em R$ 153,8 bilhões, chegarem perto dos R$ 155,5 bilhões, ante receitas de R$ 144,9 bilhões.

Em troca do aceite ao pedido do TJMG, Mateus Simões pediu ao presidente da Corte, o desembargador Vicente de Oliveira, que o Tribunal mantenha o acordo pelo qual ajuda a pagar despesas do Executivo no sistema de Justiça, como obras em presídios. A solicitação foi aceita, segundo relatos de interlocutores do governo.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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