Lucas Ganem pede à Justiça mineira para continuar no mandato até o TSE julgar a cassação

Vereador quer suspender os efeitos da decisão que o cassou por fraude no domicílio eleitoral; Rubão já pediu afastamento imediato
Lucas Ganem de perfil e camisa social azul
Lucas Ganem trava disputas judiciais contra a Câmara de BH para impedir cassação de mandato. Foto: Dara Ribeiro/CMBH.

O vereador de Belo Horizonte Lucas Ganem (MDB) pediu ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) que suspenda os efeitos da cassação do mandato dele até que o recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seja analisado.

O vereador foi cassado pela Corte mineira, em agosto deste ano, por fraude na transferência do domicílio eleitoral para a capital mineira. Agora, ele recorre do caso em Brasília. O pedido vai ser analisado pelo presidente do TRE-MG, desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga.

A ofensiva da defesa responde a um movimento do ex-vereador Rubem Rodrigues de Oliveira Júnior, o Rubão (Podemos). Primeiro suplente e autor da ação contra Ganem, ele pediu à Justiça Eleitoral o afastamento imediato do vereador e a recontagem dos votos da eleição de 2024.

Como mostrou O Fator, o TRE-MG convocou, para 29 de outubro, o reprocessamento dos votos das chapas do Podemos e da federação PSDB-Cidadania nas eleições de Belo Horizonte em 2024. Os votos de Lucas Ganem, ex-Podemos, e Leonardo Ângelo (Cidadania) foram anulados após a cassação dos mandatos.

Rubão sustenta que, em eleições municipais, a decisão pode ser cumprida assim que acabarem os recursos no tribunal regional, sem esperar o TSE. Esse é o entendimento da própria Corte superior.

O pedido

Na Justiça Eleitoral, um recurso não impede, em regra, o cumprimento da decisão. Por isso a defesa pede uma tutela de urgência para manter Ganem na cadeira até o TRE-MG decidir se o caso pode subir ao TSE. Se o recurso for admitido, os advogados poderão repetir o pedido diretamente em Brasília.

A petição também pede que seja sustada qualquer comunicação já enviada à Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) para afastar Ganem e dar posse ao suplente. O principal argumento é que a ação usada para cassar o mandato do vereador não serve para esse caso.

A Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) existe para derrubar mandatos obtidos com abuso de poder, corrupção ou fraude. Para a defesa, uma eventual fraude no domicílio do próprio candidato não altera a vontade do eleitor. A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) adotou o mesmo entendimento e defendeu o arquivamento da ação.

Os advogados alegam ainda que a transferência do título, aprovada em fevereiro de 2024, não foi contestada no prazo legal. Hoje, Ganem segue inscrito como eleitor da capital mineira.

A defesa sustenta também que domicílio eleitoral não é o mesmo que residência e pode ser comprovado por vínculos afetivos, profissionais ou comunitários. Para os advogados, o TRE-MG reconheceu esse conceito mais amplo, mas julgou o caso com base apenas no local de moradia.

Sobre a urgência, o texto afirma que o tempo de afastamento não poderá ser devolvido caso Ganem vença no TSE. “Cada dia de afastamento representa uma parcela do mandato popular que não poderá ser posteriormente recomposta”, argumenta.

A petição menciona ainda a possibilidade de o Legislativo passar por um “troca-troca” de vereadores. “Se, porém, (o recurso) for provido após a execução imediata da cassação, o tempo de mandato indevidamente suprimido será irrecuperável, e a Câmara Municipal de Belo Horizonte terá sido submetida, desnecessariamente, a sucessivas alterações em sua composição”.

Histórico do caso

Em dezembro de 2025, a primeira instância cassou Ganem, declarou a inelegibilidade dele por oito anos e anulou os 10.753 votos que recebeu. O cumprimento ficou condicionado ao fim de todos os recursos.

Em agosto, o pleno do TRE-MG manteve a cassação por unanimidade, mas retirou a inelegibilidade. Já em 28 de setembro, a Corte rejeitou os embargos da defesa. Segundo a Polícia Federal (PF), Ganem nunca morou no imóvel do bairro Trevo, na Pampulha, informado à Justiça Eleitoral.

O dono da casa disse à corporação que emprestou o endereço apenas para receber correspondências. O próprio vereador admitiu ter se mudado para Belo Horizonte em novembro de 2024, um mês depois de eleito. O caso foi revelado por O Fator.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

Lucas Ganem pede à Justiça mineira para continuar no mandato até o TSE julgar a cassação

Leia também:

Arrecadação de Minas com o IPVA, bandeira de campanha de Cleitinho, já superou R$ 11 bi neste ano

Governo de Minas pede mudanças em acordo da Casa da Mulher Brasileira em BH

Lucas Ganem pede à Justiça mineira para continuar no mandato até o TSE julgar a cassação

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse