A tensa negociação que envolve PT, Psol e PSB por espaço na chapa de Patrus

Negociação envolve vaga de vice, Senado e resistência de grupo de deputados pessebistas à aliança com PT
Jarbas Soares Júnior
PT quer Jarbas Soares, do PSB, como vice e Áurea Carolina, do Psol, ao Senado, mas ex-procurador ainda avalia candidatura própria. Foto: Reprodução

Os partidos que negociam para compor a chapa de Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas Gerais aguardam agora uma nova decisão do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior (PSB) para fechar a composição majoritária.

Em reunião na tarde desta terça-feira (4), no gabinete da deputada estadual Leninha, presidente do PT mineiro, dirigentes do PT e do Psol avançaram em um entendimento que, por enquanto, mantém em aberto as principais vagas da chapa.

O PT trabalha com a preferência pela ex-deputada federal Áurea Carolina, do Psol, na disputa ao Senado, em dobradinha com Marília Campos (PT). Para a vice, a sigla quer Jarbas Soares Júnior. Mas o ex-procurador e o PSB mantêm a intenção de disputar a cadeira no Senado.

A negociação envolve também o impacto da vice na chapa de candidatos a deputado federal do PSB. Parte dos nomes da sigla, reunidos na chamada “chapa municipalista”, formada por ex-prefeitos, resiste a uma aliança direta com o PT e não aceita que os pessebistas indiquem o vice de Patrus.

Esse grupo teme que a associação com o PT prejudique o desempenho eleitoral na disputa proporcional. Ao mesmo tempo, a direção nacional do PSB, comandada por João Campos, prefere que o partido caminhe com Patrus.

Áurea na chapa

No encontro desta terça, o PT também reforçou que quer Áurea Carolina na chapa majoritária. O Psol, por sua vez, já alinhou internamente o apoio a Patrus, mas ainda discute se fará essa participação de forma formal ou apenas política.

A prioridade do partido é garantir espaço para a ex-parlamentar disputar o Senado. Se houver essa garantia, a tendência é de integração à coligação petista; se não, a legenda pode manter uma composição informal com Patrus e lançar uma chapa própria para acomodar a candidatura de Áurea.

O cenário também é afetado pela federação entre Psol e Rede Sustentabilidade.

Pelas regras eleitorais, as duas siglas precisam caminhar juntas em todas as disputas. Como a Rede avalia a possibilidade de apoiar Alexandre Kalil, do PDT, para o governo de Minas, interlocutores do Psol admitem que a federação pode acabar, ao menos no papel, em outra coligação, o que obrigaria os pessolistas a sustentarem a candidatura de Patrus de forma informal.

À noite, Patrus Ananias tem um evento pré-eleitoral em que pretende anunciar a chapa final. Se o PSB não indicar o vice, a tendência é que o PT feche uma chapa puro-sangue, sem participação de outras siglas na majoritária.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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