A jornalista brasileira Clarissa Mello, que vive desde 2004 em Caracas, capital da Venezuela, falou com exclusividade a O Fator sobre os ataques dos EUA ao país caribenho na madrugada deste sábado (3). Segundo Clarissa, a população venezuelana foi surpreendida com os bombardeios por volta das 2 horas da manhã (horário local).
“Ninguém aqui esperava por isso. Muitas famílias ainda estão retornando das férias no interior do país, encerradas as festas de fim de ano. O clima era de total tranquilidade, até que fomos acordados com o barulho das explosões”, disse a jornalista.
Ainda segundo a brasileira, após a captura do presidente Nicolás Maduro e a retirada momentânea das aeronaves militares dos Estados Unidos da América (EUA) do espaço aéreo de Caracas, o clima na cidade é de tranquilidade na manhã deste sábado.
“A sensação no bairro em que vivo é que não há receio de sair de casa. O partido de Maduro está convocando mobilizações populares em todo o país e os relatos que temos são de normalidade quanto ao funcionamento dos serviços básicos”, apontou Clarissa.
Sobre o futuro político do país, a jornalista afirmou não ver espaço para que a oposição a Maduro ocupe o poder.
“Neste momento, não há ninguém na oposição com capacidade de mobilizar e liderar um Golpe de Estado. Com a ausência de Maduro, os dois nomes em maior evidência no governo são o da vice-presidente, Delcy Rodríguez, e o do ministro do Interior, Diosdado Cabello. Mas não há este debate sobre sucessão, já que o presidente eleito foi sequestrado e, constitucionalmente, segue no cargo”, avaliou.
Clarissa Mello acrescentou ainda que, por ora, não vê motivos para deixar a Venezuela após os ataques desta madrugada.