Cenário de não privatização da Copasa é ‘improvável’, diz BTG

Banco encaminhou análise a investidores nesta sexta-feira (24), horas após aprovação em 1° turno da PEC do fim do referendo
André Esteves e Romeu Zema
André Esteves, do BTG, e Romeu Zema se encontraram em agosto. Foto: Aluísio Eduardo/Digital MG

O banco BTG Pactual disponibilizou a investidores, nesta sexta-feira (24), um relatório em que classifica como “improvável” um cenário de não privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Segundo a instituição financeira, o preço-alvo das ações da estatal para 2026 é de R$ 46.

O documento foi encaminhado horas após os deputados estaduais aprovarem, em 1° turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dispensa a necessidade de referendo popular para a venda da Copasa. O texto ainda precisa ir à votação final em plenário e é defendido por aliados do governador Romeu Zema (Novo) como uma forma de agilizar as tratativas, uma vez que os recursos de eventual desestatização serão usados no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). 

O aval preliminar à PEC é, exatamente, um dos fatores que faz o BTG acreditar no avanço do processo de privatização. Como O Fator mostrou em agosto, o banco liderado por André Esteves é uma das instituições interessadas em atuar na modelagem da venda de ações da empresa de saneamento.

“Há algum tempo estamos falando de Copasa com os investidores. Nos últimos meses, por exemplo, as ações fizeram parte da nossa carteira Small Caps. Durante esse período, defendemos que a tese parece atraente, apesar do risco de a sua privatização não avançar. Ontem, a Assembleia Legislativa de MG aprovou (na primeira votação — ainda há uma segunda) a remoção de referendo para privatizar a Copasa, com 52 votos a favor (cinco a mais que o necessário), indicando que um cenário de não privatização é improvável”, lê-se em trecho do relatório.

A proposta que elimina o referendo precisava de 48 votos para ser aprovada. Portanto, diferentemente do que diz o BTG, foram quatro manifestações além do mínimo exigido pelo Regimento Interno da Assembleia.

‘Romaria’ na Assembleia e café com Zema

No início deste semestre, emissários do BTG estiveram na Assembleia Legislativa a fim de conversar com parlamentares a respeito das possibilidades de avanço dos projetos de lei referentes à privatização.

Paralelamente, André Esteves chegou a se encontrar com Zema para um café da manhã em São Paulo (SP). A Copasa foi um dos temas da conversa. 

O governo do estado ainda não definiu o modelo que deseja utilizar em uma eventual privatização da estatal. Uma das hipóteses em debate é repetir o caminho trilhado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2023. 

À ocasião, para viabilizar a desestatização, a empresa paulista apostou no follow on, em que uma nova oferta de ações na Bolsa de Valores reduz o capital de propriedade do poder público e amplia a participação privada. A transação foi coordenada por um pool formado por BTG, Bank of America, Citi e UBS.

Além da aprovação em 2° turno da PEC sobre o referendo, o governo Zema precisa conseguir, na Assembleia, sinal verde, também em duas votações, ao texto que trata especificamente das regras para a venda da companhia. Em setembro, o Executivo enviou um substitutivo que também vincula a proposta ao Propag.

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