A comissão especial da Câmara Municipal de Nova Lima que vai analisar a revisão do Plano Diretor da cidade será comandada por dois vereadores de origens bem diferentes. O presidente é Álvaro Azevedo (Avante), filho de um ex-desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e dono de boa relação com empresários e setores da elite mineira. O vice é Nilton Cruz (PRD), ex-jardineiro do condomínio Alphaville e presidente da Associação de Água Limpa, um dos bairros mais carentes da cidade, onde vive até hoje.
O projeto encaminhado pela prefeitura da cidade da Grande Belo Horizonte revisa o Plano Diretor em vigor desde 2007 e pretende definir a política de desenvolvimento urbano para os próximos anos. Com origens e formações bem distintas, os dois vereadores, cada qual com a sua vivência, terão a missão de comandar o processo de discussão da proposta que estabelece regras para uso e ocupação do solo, expansão da cidade, adensamento populacional e priorização de investimentos em infraestrutura.
O texto também trata de temas como habitação de interesse social, regularização fundiária de áreas informais e criação ou revisão de Zonas Especiais de Interesse Social, voltadas à população de baixa renda. A ideia é orientar onde podem surgir novos empreendimentos, de que tipo, com quais limites e contrapartidas.
A discussão ocorre em um momento em que Nova Lima se consolidou como um dos principais polos imobiliários do país, com forte presença de condomínios fechados e empreendimentos de alto padrão. Ao mesmo tempo, o município ainda convive com bairros com carência de saneamento, mobilidade e equipamentos públicos.
Por isso, o novo Plano Diretor é acompanhado de perto pelo mercado imobiliário nacional, por empresas interessadas em novos projetos na região e por moradores preocupados com impactos no trânsito, no meio ambiente e no acesso à moradia.
A proposta cria ainda um acervo digital de informações territoriais, com dados geográficos, ambientais e urbanos, que deverão embasar licenciamento de obras e decisões técnicas. O texto também reforça a necessidade de participação popular em conselhos, audiências e consultas públicas ao longo da implementação do plano.
Na mensagem enviada à Câmara, a própria prefeitura reconhece que Nova Lima tem alta renda média, mas convive com fortes desigualdades internas. Há condomínios de alto padrão e, ao lado, áreas com falta de infraestrutura básica e alta vulnerabilidade social.