Como a troca no comando do União Brasil em Minas impacta a candidatura de Aro ao Senado

Dirigentes do partido têm dito nos bastidores que a decisão cabe apenas ao secretário de governo de Zema
Marcelo Aro durante discurso
Marcelo Aro assumiu a Secretaria de Estado de Governo na gestão de Romeu Zema em fevereiro de 2025. Antes, atuava como líder do governo no Congresso Nacional. Foto: Facebook/Divulgação

Dirigentes do União Brasil afirmam que a troca no comando da sigla em Minas Gerais não altera o compromisso assumido pela federação União Brasil-PP de lançar o atual secretário de Governo do estado, Marcelo Aro (PP), como candidato ao Senado neste ano. A decisão caberá exclusivamente ao secretário do governador Romeu Zema (Novo).

O deputado federal Rodrigo de Castro assumirá a presidência estadual do União Brasil no lugar do também deputado federal Delegado Marcelo de Freitas. Até então, o diretório mineiro do partido, em sintonia com a direção do PP em Minas, mantinha alinhamento com a pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD) ao governo do estado.

Simões costuma mencionar publicamente esse entendimento ao tratar da sucessão ao comando do Palácio Tiradentes e ressalta o nome de Aro como candidato ao Senado na chapa. A troca no comando partidário, no entanto, tende a impactar esse arranjo. Isso ocorre porque a relação entre o vice-governador e Castro é considerada ruim por interlocutores.

Como mostrou O Fator, o deputado federal é próximo do senador Rodrigo Pacheco (MG), que prepara sua saída do PSD após a chegada de Simões à legenda e mantém tratativas para se filiar ao União Brasil. Concluído o processo de reorganização partidária, Pacheco também pretende avaliar uma eventual candidatura ao governo de Minas.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a mudança na presidência estadual do União Brasil aumenta, de forma natural, a pressão por um afastamento da federação do grupo de partidos que hoje apoia o vice-governador. Ainda assim, ressalta um interlocutor, esse cenário não altera o compromisso da federação firmado com Marcelo Aro, pelo contrário.

Caberá ao secretário tomar a decisão. “Vai ser uma decisão pessoal do Marcelo Aro concorrer ou não ao Senado pela federação. Ninguém quer que ele saia, pelo contrário. O que ele precisa analisar agora é se vai permanecer aliado a Zema e a Simões. Se esse for o entendimento, naturalmente, não terá espaço”, afirmou um interlocutor.

Estratégia

Na semana passada, O Fator revelou que a chegada de Rodrigo de Castro ao comando do União Brasil em Minas fazia parte de uma estratégia de aliados do senador Rodrigo Pacheco para tentar retirar da federação o apoio à pré-candidatura do vice-governador. A articulação, no entanto, não pressupõe, neste momento, uma candidatura de Pacheco ao governo estadual.

Com a mudança no comando partidário, Pacheco pretende levar para o União Brasil parte de sua base política, hoje distribuída entre diferentes legendas, mas concentrada principalmente no PSD.

Esse movimento abre espaço para uma disputa interna entre dois grupos da federação, um que defende a manutenção do apoio a Simões e outro alinhado ao projeto político de Pacheco e Castro.

Aval do PP

Um dos principais articuladores desse movimento é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), que atua para acelerar os trâmites. A filiação de Pacheco, por exemplo, deve ocorrer após o Carnaval. Alcolumbre já teria obtido o aval do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, partido que integra a federação com o União Brasil.

Esse aval é considerado necessário pela proximidade do PP com a direita em Minas Gerais. Há, no entanto, o entendimento de que a federação pode adotar cenários de independência em alguns estados, se necessário, como a formação de palanque para o presidente Lula em Minas Gerais.

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