As duas testemunhas chamadas a depor nesta quinta-feira (29) no âmbito do processo de cassação do vereador Lucas Ganem (Podemos), de Belo Horizonte, não compareceram às oitivas. A comissão processante que analisa o caso desejava ouvir Leonardo Silveira Gusmão, que ajudou a montar a chapa legislativa do Podemos em 2024, e Fernanda Fraga Nogueira Duarte, esposa do proprietário da casa que Ganem declarou como domicílio eleitoral no ato de registro da candidatura.
Gusmão, atualmente, é controlador-geral da Câmara Municipal de BH (CMBH). Na noite dessa quarta-feira (28), ele informou ao presidente da comissão, Bruno Miranda (PDT), que não prestaria depoimento por causa do cargo que ocupa na estrutura do Parlamento belo-horizontino. Segundo ele, o depoimento geraria conflito ético.
Fernanda Duarte, por sua vez, não justificou a ausência. O marido dela, Grijalva de Carvalho Lage Duarte, já foi intimado a depor à comissão.
Anteriormente, ao ser ouvido por policiais federais que investigam a situação de Ganem, o empresário, atualmente secretário municipal em Contagem, disse ter emprestado o endereço ao vereador para o recebimento de correspondências.
Fernanda, que disse à Polícia Federal não ter conhecido Ganem em 2024, foi exonerada do gabinete do parlamentar em 10 de janeiro deste ano.
Bruno Miranda informou que a Câmara Municipal adotará os procedimentos legais cabíveis para que ela preste depoimento à comissão nas próximas reuniões do colegiado.
Em documento apresentado por seus advogados à CMBH, a defesa de Ganem admitiu que o vereador não morou no endereço fornecido à Justiça Eleitoral para o registro da candidatura em 2024.
Segundo a banca, que se ampara no conceito de “domicílio eleitoral amplo”, o logradouro funcionava como “ponto de apoio”.