Copasa admite que relançou oferta de privatização porque propostas não alcançaram valor mínimo

Justificativa consta em ofício encaminhado ao TCE para pedir rejeição a representação contra liquidação financeira da negociação
Empreendimento da Copasa
Sindicato é contra liquidação financeira de oferta; empresa deseja continuidade. Foto: Copasa/Divulgação

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) admitiu oficialmente, nesta sexta-feira (19), que o relançamento da oferta para a privatização da empresa, em corrida que acabou vencida pelo Grupo Equatorial, aconteceu porque as propostas iniciais ficaram abaixo do mínimo esperado pelo governo estadual. 

A explicação consta em ofício encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para pedir a rejeição de um representação que solicita a paralisação da liquidação financeira da desestatização.

“A fixação do preço mínimo em R$ 47,23 por ação foi estabelecida em conformidade com as diretrizes e limites acordados com este Tribunal de Contas. Embora houvesse competição e múltiplos interessados, as propostas concorrentes não atingiram o piso de preço definido pelo Estado para resguardar o patrimônio público. A reabertura do processo licitatório teve o efeito de elevar o valor final ofertado ao Estado pelas ações”, lê-se em trecho do ofício, assinado pela presidente da Copasa, Marília Melo.

A Gerais Saneamento, subsidiária da Equatorial que venceu o certame, ofereceu R$ 49,03 por ação, montante cerca de 3,8% superior aos R$ 47,23.

A manifestação da Copasa aconteceu a pedido do conselheiro Agostinho Patrus. No início da semana, ele deu 48 horas, contadas a partir de quarta-feira (17), para a companhia se posicionar nos autos de ação protocolada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto (Sindágua-MG). 

A entidade de classe protocolou o procedimento por entender que o processo de escolha do novo investidor de referência não teve concorrência. A peça inicial também faz menção a uma decisão da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública de Belo Horizonte exigindo que a prefeitura da capital apresente à Câmara Municipal (CMBH) documentos referentes à extensão da concessão dos serviços de saneamento. 

Ao criticar o adiamento do leilão a fim da divulgação do preço mínimo, o Sindágua afirmou que a mudança “não foi discutida em tempo hábil” com os atores interessados. Ainda conforme o sindicato, o redesenho do edital “comprova que o modelo original faliu”. Para embasar a opinião, a entidade fez menção à decisão da Livorno Participações, veículo de sócios da Aegea, de deixar a concorrência depois da revelação do piso financeiro dos títulos.

A Copasa, por sua vez, contestou a alegação. A saída da Livorno do páreo, sustentou, “decorreu de limites próprios de precificação técnica dos ativos, que se situaram abaixo do preço mínimo exigido, e não de falhas ou de restrições arbitrárias no modelo de privatização”.

Inicialmente, quando o governo tomou a decisão de refazer a oferta, houve justificativa apontando a identificação de “fatores supervenientes”, que posteriormente foram atribuídos à detecção de bloqueios judiciais sobre 46.737 ações de titularidade do poder público.

Polêmica sobre contrato

O contrato entre a Copasa e BH, originalmente válido até 2032, teve o fim postergado para 2073 após negociação concluída em março. Na segunda-feira (15), o juiz Danilo Couto Lobato Bicalho concedeu liminar solicitada pela vereadora Luiza Dulci, do PT, reivindicando acesso aos documentos das tratativas. 

A empresa de saneamento sustentou, na petição ao TCE-MG, que não tem relação direta com o imbróglio judicial, visto que a sentença de Bicalho alcança apenas o Executivo municipal.

“Ao contrário do que alega o denunciante, não há qualquer omissão de informações ou ausência de transparência quanto aos ajustes firmados com o Município de Belo Horizonte”, contrapôs, argumentando que o contrato e seus aditivos estão disponíveis para consulta no site da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede).

Equatorial e Perfin no topo

Na condição de sócia de referência, a Equatorial ficou com 30% da empresa. Para fazer a aquisição, se comprometeu a pagar R$ 5,59 bilhões.

O posto de segundo maior acionista ficou com a Perfin, agora detentora de 20%. Como O Fator mostrou, os fundos da gestora fizeram uma pequena alocação via privatização, apostando prioritariamente na compra direta no mercado.

O governo de Minas Gerais disponibilizou 15% nas negociações fracionadas. Ao todo, a oferta alcançou R$ 8,38 bilhões, com o Executivo estadual mantendo 5%. A participação de grupos internacionais na divisão acionária foi ampliada.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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