Eduardo Cunha critica modelo eleitoral e defende candidatura avulsa após ser recusado por partidos

Ex-presidente da Câmara acumula negativas de legendas e tenta viabilizar candidatura a deputado federal por Minas Gerais
Na foto, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha quer conseguir os votos dos mineiros nas eleições deste ano. Foto: Facebook/Reprodução

Ainda sem partido para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por Minas Gerais nas eleições deste ano, Eduardo Cunha passou a defender mudanças na legislação eleitoral para cargos majoritários.

Em artigo publicado no portal Poder360, o ex-deputado, que transferiu o domicílio eleitoral para Belo Horizonte no fim do ano passado, afirmou que o pleito de 2026 “mostrará a necessidade de profundas mudanças na legislação eleitoral”.

“Até mesmo as candidaturas avulsas acabarão aprovadas porque o modelo partidário contém uma concentração de decisões nos dirigentes partidários que acabam tornando difícil a tentativa de candidatura majoritária, de quem não está com apoio de cúpulas partidárias”, escreveu em artigo publicado na segunda-feira (23).

Para ele, a pressão dos próprios parlamentares acabará forçando uma reforma, e até mesmo candidaturas avulsas ganharão força nesse cenário. O ex-presidente da Câmara defende a adoção do chamado “distritão”, modelo no qual os mais votados são eleitos independentemente da composição das listas partidárias.

Cunha afirma ainda que tentou aprovar o sistema quando comandava a Casa, entre 2015 e 2016, sem sucesso, mas avalia que hoje a proposta teria mais facilidade para avançar. Como alternativa, sugere um formato misto, em que metade das cadeiras seria preenchida pelos candidatos mais votados e a outra metade por lista partidária.

Questão partidária

Atualmente filiado ao Republicanos, Cunha recebeu mais uma negativa nesta semana. O diretório nacional do Podemos barrou sua entrada na sigla e manteve a deputada federal Nely Aquino no comando da legenda em Minas.

O ex-presidente da Câmara havia chegado a acertar a permanência no Republicanos no fim de fevereiro, mas desgastes com o grupo do senador Cleitinho Azevedo foram o que levaram a reavaliar a decisão e buscar o Podemos.

Antes disso, ele também recebeu negativas de Avante, PL, PP e MDB, seu último partido. Cunha ainda mantém conversas com o Partido da Mobilização Nacional e o Democracia Cristã (DC).
Como mostrou O Fator, o ex-parlamentar chegou a cogitar desistir da disputa diante da dificuldade em encontrar uma legenda que aceite sua filiação e ofereça estrutura para a candidatura.

Cunha busca não apenas um partido para registrar o nome na disputa, mas também acesso a recursos do fundo eleitoral e uma estrutura de campanha compatível com seus planos. Nos últimos meses, ele intensificou a articulação política no estado.

Além de ampliar contatos com lideranças no interior, inclusive do meio religioso, ele buscou aproximação com clubes de futebol, associações e prefeituras e reforçou a presença de veículos de comunicação ligados ao seu grupo, como a Rádio Maravilha e franquias da JP News.

Derrota

Na última eleição geral, em 2022, ele havia transferido o domicílio para São Paulo e também concorreu ao cargo, pelo PTB, mas não foi eleito. Cassado em 2016 no âmbito de investigações da Lava Jato, recebeu 5.044 votos do eleitorado paulista.

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