Candidato do PDT ao governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil defendeu, nesta quinta-feira (13), a participação do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) em sua campanha. Em entrevista ao UOL e à Folha de São Paulo, o ex-prefeito de Belo Horizonte afirmou que o PSDB tem espaço na chapa para indicar o candidato ao Senado Federal, disse que gostaria de ter o ex-governador no palanque e ressaltou que Aécio não foi condenado nos processos relacionados à construção da Cidade Administrativa.
“Nós temos que lembrar que o Aécio Neves foi julgado e absolvido, a primeira coisa é essa. Eu não faço coisa com gente condenada”, afirmou Kalil.
No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) não chegou a julgar nem absolver Aécio, mas arquivou uma ação penal e de uma ação de improbidade administrativa relacionadas às investigações sobre crimes e fraudes ocorridas na construção da sede da Cidade Administrativa. Na época, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos casos, entendeu que os processos usavam elementos de prova obtidos que foram considerados ilícitos pela Corte.
Em setembro, Moraes determinou o arquivamento da ação penal que tratava do caso, após apontar a nulidade das provas produzidas na investigação da Polícia Federal. Parte do material tinha origem em acordos de delação premiada de ex-executivos da Odebrecht no contexto da Lava-Jato, que foram anulados por, segundo o ministro, terem sido obtidas de forma irregular.
Em 26 de fevereiro, Moraes também determinou o arquivamento da ação de improbidade administrativa contra Aécio. A decisão, mantida sob segredo de Justiça e obtida por O Fator, concluiu que a ação civil se baseava em provas compartilhadas da investigação criminal que já haviam sido declaradas nulas pelo STF.
Aliança
Na entrevista, Kalil afirmou que Aécio pode disputar uma vaga ao Senado na chapa. “A vaga do Senado é do Aécio se ele quiser”, disse.
Aécio já informou, em nota oficial, que não será candidato em nenhuma eleição neste ano.
O candidato do PDT afirmou que deseja ter o deputado federal em sua campanha, apesar dos ataques feitos ao tucano em 2016, durante a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Na época, Kalil acusava Aécio de ter articulado uma aliança de 11 partidos contra sua candidatura.
“O Aécio é uma figura importante; era tão importante que só se falava em Lula e Aécio, então eu quero essa figura na minha campanha ajudando”, declarou.
Kalil disse que não mantém a divergência política daquele período. “Eu tive diferenças políticas com o Aécio e eu sempre o agredi, ele nunca me agrediu. Eu é que fiquei com raiva”, afirmou. “Eu não guardo ódio em geladeira.”
Segundo Kalil, o presidente do PSDB e o deputado federal Paulo Abi-Ackel o procuraram para discutir a aliança. O ex-prefeito disse que o partido não apresentou outras exigências além da possibilidade de indicar o nome para concorrer ao Senado.
“O Aécio é presidente do partido e todo mundo tá querendo que ele seja senador. Foi o primeiro partido que veio e não pediu nada; pediu uma vaga no Senado”, afirmou.
O PSDB indicou o vice de Kalil na disputa desse ano: o ex-deputado federal Carlos Mosconi.
Ao tratar da aproximação, Kalil disse que a decisão não representa mudança de lado político. Ele relatou que disse a Aécio o mesmo que já havia dito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): embora não tivesse votado nele, não descartava uma coligação.
“Ou seja, eu não estava mudando de lado, não. Eu estava fazendo política”, declarou.