O ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman assumiu nesta quinta-feira (3) a Presidência Executiva da CSN. Ele entra no lugar de Benjamin Steinbruch, que dirigia a empresa desde 2002.
Pelo que apurou O Fator, os dois são amigos pessoais há anos e membros da comunidade judaica de São Paulo. Steinbruch vinha sendo pressionado a organizar sua sucessão por causa do tempo na direção da companhia e desgastes corporativos. Ele tem 73 anos. Schvartsman é apenas um ano mais novo.
Foi Streinbuch quem decidiu preparar a transição nesse momento, escolhendo o amigo de confiança para tocar a empresa e o processo de profissionalização da CSN.
A companhia informou a troca em comunicado oficial na noite dessa quarta-feira (2).
Steinbruch deixa as tarefas do dia a dia e passa a presidir o conselho de administração, cargo que já havia ocupado entre 1995 e 2023. Ao site NeoFeed, ele disse que vinha planejando a sucessão há cerca de três anos e que Schvartsman chega com a missão de reduzir as dívidas da companhia.
O Fator apurou que Schvartsman deverá ter pouca participação na parte de mineração da empresa e irá se concentrar nos assuntos financeiros.
Na década passada, Steinbruch ajudou a levar Schvartsman à presidência da Vale, cargo que ocupou entre 2017 e 2019. Essa indicação fazia parte de uma tentativa de aproximar a Vale da CSN. As companhias foram rivais no setor de mineração e siderurgia. A tentativa, contudo, não deu certo, o que jamais interferiu na amizade entre Schvartsman e Steinbruch.
Antes da Vale, Schvartsman presidiu a Klabin, entre 2011 e 2017, e passou 22 anos no Grupo Ultra, onde foi diretor financeiro. Desde 2022, ele também faz parte do conselho da Vibra Energia.
Brumadinho
Schvartsman saiu da Vale poucas semanas depois do rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019, que matou mais de 270 pessoas. Ele responde a processos criminais sobre o caso, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de homicídio qualificado e de crimes ambientais.
Ele havia sido retirado do processo em 2024, quando a Justiça entendeu que não havia provas suficientes contra ele. O Ministério Público recorreu, e em abril de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por três votos a dois, colocá-lo de volta como réu.
Ao longo de 2026, a defesa tentou novos recursos, todos negados, sendo o último em agosto. O caso segue agora na fase de coleta de provas.