Como foi a primeira semana de Renato Rezende à frente da Secretaria de Governo de Minas

Novo componente do primeiro escalão de Mateus Simões assumiu articulação política após rompimento com grupo de Marcelo Aro
O novo secretário de Governo de Minas, Renato Rezende
O novo secretário de Governo de Minas, Renato Rezende. Foto: Letícia Cordeiro/Comunicação Segov

No comando da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais (Segov) há uma semana, Renato Rezende confessa ter ficado surpreso quando recebeu o convite do governador Mateus Simões (PSD) para assumir a pasta. Ele diz que, inicialmente, pensou se tratar de uma oferta para cuidar de uma diretoria do setor. 

Passado o espanto, com o termo de posse assinado, escolheu, para os primeiros dias, uma agenda que prioriza reuniões com colegas de primeiro escalão a fim entender o que as demais secretarias planejam fazer até o fim do ano para cumprir as metas previstas no plano de governo apresentado na eleição de 2022.

“A cada hora, você vai ver um secretário vir aqui e eu perguntar ‘o que falta para você cumprir seu plano de governo? O que tem de entregas para cumprir o que foi prometido na eleição?’. Essa é a primeira diretriz. Depois, vamos ver a questão da Lei Orçamentária”, afirma, em entrevista a O Fator.

Rezende, que era o chefe da pasta de Governo de Uberlândia, no Triângulo, ainda não crava os números que vão constar no Orçamento estadual de 2027. No entanto, já começou a conversar com parlamentares para entender as demandas que reivindicam para o ano que vem.

“É um movimento democrático. Todos têm opinião sobre o orçamento. Temos, dentro de cada setor da Assembleia que aprova e valida (o orçamento), uma mobilização que tem de ser feita (para aprovar a peça)”, vislumbra.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que norteia a construção da peça e tem caráter provisório, estima rombo de R$ 7,67 bilhões. O resultado é fruto do contraste entre os ganhos, projetados em R$ 142,79 bilhões, e as despesas, calculadas em R$ 150,46 bilhões. 

Segundo Rezende, a despeito dos problemas no fluxo de caixa, o estado tem condições de apoiar prefeituras na resolução de problemas.

“O estado tem uma dor muito grande: o déficit orçamentário. Os municípios sofrem por coisas muito menores e, às vezes, você pode agir com uma coisa pequena para o estado, mas de muita valia para o município”, pontua.

Ideia é ‘potencializar’ deputados

A rotina de Rezende na Segov também tem contado com reuniões com deputados. Ele já esteve, por exemplo, com o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Tadeu Leite (MDB), e com o líder do governo, João Magalhães, do PSD.

De acordo com ele, o plano é “potencializar” o papel dos parlamentares no atendimento às demandas locais.

“O deputado sempre tem a demanda política do município. É a demanda da promessa de campanha. Muitas vezes, ele não entende a real dor que o prefeito tem. São ajustes pequenos”, explica.

“Nunca vou deixar de dar para ele (o deputado) o crédito da região dele. Mas posso somar e mostrar outras formas (de atuação) a não ser só a emenda e a presença lá”, completa.

O ex-secretário assumiu a pasta em meio a um embate político. Ele foi escolhido para substituir Castellar Neto, exonerado na esteira do rompimento entre Simões e Marcelo Aro, candidato do PP ao Senado. O afastamento entre Aro e o pessedista, aliás, acontece a despeito da costura que levou a federação entre União Brasil e PP à coligação que apoia sua reeleição.

Nos bastidores, Rezende é tido como um nome apontado justamente a partir do apoio de União-PP a Simões. Ele, que já foi filiado ao PP, mantém boa relação com lideranças da federação.

El Niño gera pausa forçada

Rezende precisou paralisar por um tempo o cronograma que traçou inicialmente, mais voltado à articulação política, porque a Segov foi chamada para ajudar na edição de um decreto instituindo um comitê de enfrentamento aos efeitos do El Niño em Minas.

Como O Fator mostrou na semana passada, uma nota técnica elaborada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indica que o fenômeno deve alterar os padrões de chuva em solo mineiro.

Assim, a tendência é de tempo seco deste mês até dezembro, com precipitação acima da média no Centro-Sul do estado e abaixo da média ao Norte. Até fevereiro, o estado deve enfrentar altas temperaturas.

De acordo com o secretário, municípios têm capacidade de resposta inferior aos estados no que tange a questões climáticas. O plano, portanto, é baseado em medidas de prevenção.

“As condições não estão previsíveis. Estou iniciando um giro pelo estado. Estarei em Teófilo Otoni (Jequitinhonha) e, depois, em Governador Valadares (Rio Doce), para a resiliência dos municípios, porque a gente não sabe o que está por vir”, explica.

“A gente tem de socorrer algumas regiões onde o período de seca está se estendendo, inibindo atividades produtivas”, emenda.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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