Voz de destaque nos debates com a União e com as instâncias federal e estadual do Legislativo sobre a renegociação da dívida contraída por Minas Gerais junto à União, o secretário de Estado de Fazenda, Luiz Cláudio Gomes, tem precisado enfrentar outro problema: críticas de auditores fiscais, uma das carreiras ligadas à pasta
Após funcionários públicos pendurarem cartazes com protestos contra Luiz Cláudio na Cidade Administrativa no início do mês, novos anúncios de teor crítico ao chefe da pasta foram utilizados por servidores. A segunda mobilização, ocorrida nessa terça-feira (24), aconteceu em um outro prédio da Secretaria de Fazenda, no Centro de Belo Horizonte.
Segundo o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG), Matias Bakir, o clima na Secretaria de Fazenda “está ficando insustentável”.
“O governo Zema vai enfrentar dias piores, porque o clima na secretaria de fazenda, única fonte de receita, está ficando insustentável. Os servidores da auditoria fiscal não acreditam na administração superior e prometem cruzar os braços, enquanto o secretário Luiz Cláudio não der a atenção devida para a categoria. Ele desdenha até mesmo de seus superintendentes, não assumindo as responsabilidades de uma secretaria da envergadura da SEF”, diz.
Os auditores fiscais defendem mudanças no patamar salarial da categoria. Um dos materiais em protesto contra Luiz Cláudio afixados em estações de trabalho no prédio da Rua da Bahia diz que, em Minas, os trabalhadores do setor recebem o 26° salário mais baixo no ranking das Receitas Estaduais.
A Secretaria de Estado de Fazenda foi procurada por O Fator para comentar os novos protestos contra o chefe da pasta. Não houve retorno, mas o espaço segue aberto.
Olho no Propag
No início do ano, o Palácio Tiradentes barrou o aumento do teto das gratificações concedidas a algumas carreiras da Fazenda estadual. Segundo interlocutores com conhecimento da área fazendária, há a possibilidade de o reajuste no abono pago a auditores ser reajustado mesmo após o veto de Romeu Zema (Novo).
Em que pese o mal-estar com os auditores, Luiz Cláudio é um dos integrantes do primeiro escalão mais ativos nas conversas sobre o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Na semana retrasada, por exemplo, esteve com Zema na comitiva que foi a Brasília (DF) conversar com deputados federais eleitos por Minas sobre a necessidade de derrubar alguns dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à versão original do programa.
Luiz Cláudio também tem participado de audiências na Assembleia Legislativa a respeito do tema. Na semana passada, por exemplo, ele bateu ponto no Parlamento a fim de conversar com deputados estaduais sobre o valor de mercado da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), um dos ativos que podem ser federalizados para amortizar o saldo devedor.
