Justiça mantém descontos salariais de professores em greve e cobra novo plano de reposição da PBH

Greve dos trabalhadores da educação da rede municipal da capital mineira durou 45 dias
fachada da Sede da PBH
Decisão da 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal nega a suspensão dos cortes de ponto, mas obriga a PBH a apresentar plano de reposição dos 32 dias parados em até 15 dias úteis. Fotos: Rodrigo Clemente/PBH

A Justiça de Minas Gerais negou o pedido do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH) para suspender os descontos salariais aplicados a professores pelos dias parados durante a greve na rede municipal de ensino. O despacho da 1ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública foi publicado nesta quinta-feira (6).

Na mesma decisão, o juiz Mateus Bicalho de Melo Chavinho determinou que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) apresente, em até 10 dias úteis, plano revisado e detalhado de reposição do calendário escolar interrompido pela paralisação. A greve durou 45 dias, de 27 de abril a 10 de junho de 2026, e deixou 32 dias letivos a repor na educação básica municipal.

A ação civil pública proposta pelo sindicato pedia, em caráter liminar, a suspensão dos cortes nos salários dos servidores, a reposição integral dos 32 dias letivos para toda a educação básica, a inclusão de todos os profissionais da educação no plano e a proibição de estender o calendário escolar para fevereiro de 2027.

Ao analisar a liminar, o juízo concluiu que não há elementos suficientes, neste momento do processo, para afastar a regra fixada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pela qual a administração pública pode descontar os dias não trabalhados durante greve de servidores.

A decisão rejeitou, por ora, outros pontos da ação, como a interrupção do plano de reposição em execução, a convocação de todos os grevistas e a fixação de multa diária de R$ 5 mil por servidor ou estudante em caso de descumprimento.

Para o juízo, os documentos apresentados pela categoria mostram dificuldades na negociação com o município, mas não comprovam, em análise preliminar, que a greve tenha decorrido de conduta ilícita da prefeitura, hipótese que poderia impedir os cortes.

Ainda que mantidos os descontos, a decisão obriga a PBH a informar como os valores foram calculados, em quantas parcelas serão cobrados, que limites de comprometimento da remuneração adotou e de que forma devolverá as quantias após a reposição das aulas.

Reposição das aulas

Sobre o calendário escolar, o juízo apontou indícios de que o município precisa demonstrar com mais clareza como cumprirá a carga horária mínima exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), sobretudo na educação infantil, inclusive para crianças de 0 a 3 anos.

Ao mesmo tempo, considerou inadequado interromper de imediato o plano em andamento, por avaliar que a medida traria prejuízo ainda maior aos estudantes. Determinou, então, que a prefeitura apresente versão revisada do plano e a justificativa técnica para os casos em que a reposição precise avançar sobre o início de 2027.

“A paralisação abrupta das reposições em andamento causaria evidente descontinuidade do calendário escolar e geraria perigo de dano reverso à própria comunidade estudantil. A sol
ução proporcional impõe manter as atividades em curso e determinar a sua complementação, adequação e comprovação técnica detalhada pelo Ente Público”, escreveu.

A greve

Segundo o Sind-REDE/BH, a greve tinha entre as principais pautas barrar a privatização e a terceirização da função docente, com a exigência de que o trabalho pedagógico ficasse restrito a professores concursados.

A categoria cobrava ainda o reajuste de 5,4% do Piso Nacional do Magistério, a reposição dos dias parados sem corte de ponto e mais transparência no uso dos recursos da educação, incluindo a proposta de uma CPI da Educação.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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