Justiça suspende resultado de licitação para a construção de complexo hospitalar em BH

Decisão paralisa trâmite de homologação da vitória do Consórcio Saúde Hope em edital aberto pela Fhemig para área na Gameleira
Complexo de Saúde Padre Eustáquio
Complexo da Fhemig vai funcionar na Gameleira, em BH. Foto: Fhemig/Divulgação

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu, na sexta-feira (28), os efeitos da homologação da licitação da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) para escolher a gestora da parceria-público privada (PPP) do Complexo de Saúde Hospitalar Padre Eustáquio (HoPe), na Gameleira, em Belo Horizonte.

A decisão é do desembargador Fábio Torres de Sousa e atende a agravo de instrumento da OPY Healthcare Gestão de Ativos e Investimentos, que questiona a comprovação de experiência técnica do Consórcio Saúde Hope, vencedor da concorrência.

Em outubro, a Fhemig chegou a negar um recurso administrativo da OPY pela revisão do resultado. A alegação apresentada pelo grupo à Justiça é a mesma levada à fundação no mês retrasado: o Consórcio Saúde Hope teria descumprido os termos do edital ao não comprovar a experiência mínima exigida.

A licitação previa a apresentação de atestado mostrando a participação na execução de um empreendimento de saúde com, pelo menos, 40 mil metros quadrados.

Segundo a recorrente, o atestado técnico apresentado pelo consórcio se basearia em construção com 15,9 mil metros quadrados, incluindo áreas não hospitalares como estacionamentos, lojas e auditório.

Para demonstrar a capacidade técnica, o Consórcio Saúde Hope enviou documentos referentes à construção de uma unidade de saúde ligada ao grupo Lifecenter. Na visão do desembargador Fábio Sousa, o material não comprova o cumprimento do requisito previsto no edital.

“Parte considerável do conjunto tem uso predominantemente residencial, havendo, inclusive, possibilidade de classificação como empreendimento ‘misto comercial’, e não como complexo hospitalar, diante da aparente ausência de integração entre os diversos usos. Tal circunstância compromete a comprovação, nesse momento, da experiência mínima de 40.000 m² de área construída em unidade de saúde. Assim, a prova documental apresentada nos autos revela, de modo suficiente, a plausibilidade da alegação deduzida pela impetrante, ora agravante, no sentido de que o conjunto apresentado pelo ‘Consórcio Saúde Hope’ pode não se caracterizar como ‘unidade de saúde’”, escreveu.

O Fator procurou a Fhemig para obter comentário a respeito da decisão do TJMG. Segundo a Advocacia-Geral do Estado (AGE), a posição de Minas Gerais sobre o tema será dada nos autos do processo.

O complexo hospitalar

O projeto, anunciado como vencedor em outubro de 2025, prevê investimentos de R$ 2,4 bilhões ao longo de 30 anos e visa consolidar cinco unidades hospitalares atuais em uma estrutura moderna com 532 leitos.

A licitação atraiu quatro propostas apresentadas em 16 de outubro, com entrega de documentação na B3, em São Paulo (SP). O Consórcio Saúde Hope, que venceu o pregão, é formado por Integra Brasil, Oncomed Centro de Prevenção e Tratamento de Doenças Neoplásicas e B2U Participaçõe e apresentou oferta de R$ 286 milhões, com deságio de 13,03% sobre o valor base do edita,l de R$ 1,74 bilhão.

Uma das propostas, identificada pelo código “199”, foi desqualificada por falta de garantia de proposta válida e capital social mínimo de R$ 110 milhões.

O projeto surge para substituir mais de 270 contratos terceirizados da Fhemig e da Fundação Ezequiel Dias (Funed) por um contrato integrado. O arcabouço conta com aporte público de R$ 350 milhões, incluindo R$ 267,7 milhões de reparações pelos danos de Brumadinho, e exige da concessionária a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com capital mínimo de R$ 27,5 milhões. A assinatura do contrato estava prevista para dezembro de 2025, com operações iniciando em 2029, após consulta pública entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025.

O Complexo de Saúde Hope será construído no terreno do antigo Hospital Galba Veloso e consolidará o Hospital Alberto Cavalcanti, o Hospital Infantil João Paulo II, o Hospital Eduardo de Menezes, a Maternidade Odete Valadares e o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG) da Funed.

A estrutura totaliza 86.955 m², com hospital público de 532 leitos (110 de UTI), 13 salas cirúrgicas e mais de 60 consultórios especializados. O Lacen processará mais de 1,5 milhão de exames anuais, incluindo diagnósticos para Covid-19, meningite e leishmaniose, além de análises de água, alimentos, medicamentos e cosméticos.

As especialidades mantidas incluem pediatria, infectologia, saúde da mulher, oncologia e dermatologia sanitária, com adições como oncologia infantil, cirurgias pediátricas, onco-hematologia, tratamento de doenças do sangue, transplante de medula óssea e endometriose. Projeções indicam mais de 200 mil consultas por ano (aumento de 45%) e 30 mil internações (crescimento de 60%), com infraestrutura modular para ativação de leitos em emergências. A PPP abrange construção, equipagem, operação, manutenção e serviços de apoio, sem incluir assistência direta à saúde ou vigilância laboratorial finalística.

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