O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve retornar a Brasília na noite desta segunda-feira (10) após dez dias em Belém (PA), que sedia a 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30).
A expectativa é que, de volta à capital federal, ele tenha a tão aguardada conversa com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e anuncie a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF).
A reunião entre Lula e o senador mineiro vem sendo adiada há cerca de 20 dias, em razão das viagens do presidente e de crises recentes, como a da segurança pública no Rio de Janeiro.
No retorno a Brasília, Lula deve concentrar esforços em duas frentes legislativas: sancionar a proposta que isenta do Imposto de Renda (IR) quem recebe até R$ 5 mil mensais e buscar a aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto de lei antifacção.
Com a sabatina do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para recondução ao cargo, e a análise de outros dois indicados de Lula ao Superior Tribunal Militar (STM) no colegiado, aliados de Pacheco avaliam que o encontro com o presidente deve ocorrer até o fim da semana.
Como mostrou O Fator, um dos motivos para o adiamento da conversa foi a avaliação da equipe de articulação política de que o ambiente no Senado ainda não era considerado favorável à aprovação de Messias para o Supremo.
Interlocutores do Planalto afirmam, porém, que a forma como será conduzida a sabatina de Gonet e o arrefecimento das resistências podem abrir espaço para a aprovação do advogado-geral da União.
Pelo regimento da Casa, a indicação de um novo ministro do STF deve passar por sabatina na CCJ e, em seguida, por votação no plenário. A nomeação precisa do apoio de, no mínimo, 41 dos 81 senadores.
A vaga no Supremo foi aberta após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, em 9 de outubro. Desde então, Messias é apontado como o principal nome considerado por Lula.
O nome de Rodrigo Pacheco, por outro lado, tem sido defendido pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e ministros do STF, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
Segundo relatos, Alcolumbre teria sinalizado a Lula que, caso o escolhido fosse Pacheco, a aprovação no Senado ocorreria sem resistência e com votação ampla. Ainda assim, o presidente não indicou mudança de posição e mantém a intenção de nomear um nome de sua confiança.
A conversa
O encontro deve abordar as razões que levaram Lula a preferir Messias para o Supremo e o cenário político em Minas Gerais, estado em que o presidente gostaria que o senador disputasse o governo nas eleições do próximo ano.
A indefinição sobre a vaga no STF tem impacto direto na política mineira. Dirigentes do PT no estado avaliam que a demora na escolha interfere no calendário de articulação para a formação do palanque da esquerda.
Se Lula confirmar Messias e Pacheco optar por não concorrer ao governo, o PT precisará definir outro nome para liderar o projeto eleitoral. Entre os cotados estão a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT).
Caso decida entrar na corrida pelo governo, Pacheco precisará mudar de sigla. No PSD, sua atual legenda, o cenário político se alterou após a filiação do vice-governador Mateus Simões, pré-candidato ao cargo, oficializada no fim de outubro.
A entrada de Simões aproximou o partido da direita e reduziu o espaço interno do senador. Diante desse novo contexto, Pacheco passou a avaliar outras siglas. As conversas mais avançadas são com o MDB e PSB.