As rodovias federais que cortam Minas Gerais concentraram parte relevante das ocorrências registradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em 2025, tanto no enfrentamento ao crime quanto nos indicadores de trânsito. As informações constam no balanço anual divulgado nesta terça-feira (10) pela corporação.
Minas liderou o ranking nacional de sinistros de trânsito em rodovias federais, com 9.559 ocorrências ao longo do ano. O volume corresponde a cerca de 13% do total de 72.483 sinistros registrados no país no período. O estado aparece à frente do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.
O estado também aparece na frente do ranking quando se fala em vítimas. Ao longo do ano de 2025, foram registradas 765 mortes e 11.987 pessoas feridas em rodovias federais que cortam Minas, o equivalente a cerca de 13% dos óbitos e 14% dos feridos contabilizados no país.
No balanço nacional, as estradas federais contabilizaram 83.483 feridos e 6.044 mortes no ano passado. O número de óbitos representa uma redução de cerca de 1% em relação a 2024, quando foram registradas 6.163 mortes nas BRs.
Os tipos de sinistros com maior número de mortes foram atropelamentos de pedestres, colisões frontais e saídas de pista. Entre as principais causas apontadas estão a circulação na contramão e a ausência de reação ou reação tardia por parte dos condutores.
Recorte sobre as rodovias
Entre as rodovias federais, a BR-116 aparece como a segunda com maior número de sinistros, com 11.010 registros, e também como a segunda em número de mortes, com 708 vítimas.
Com extensão total aproximada de 4.660 quilômetros, a BR-116 cruza Minas em um trecho de cerca de 816 quilômetros, em um percurso que vai da Zona da Mata ao Norte do estado. Ela fica atrás apenas da BR-101, que lidera os rankings nacionais de acidentes de trânsito e mortes.
A BR-040, por sua vez, figura como a terceira rodovia federal com mais registros de acidentes no país, com 3.502 ocorrências. A via tem cerca de 1.180 quilômetros de extensão, dos quais aproximadamente 850 quilômetros passam por Minas, ligando o estado ao Distrito Federal e ao Rio de Janeiro.
Já a BR-153, que também corta Minas, conectando o Triângulo Mineiro à região Centro-Oeste e ao estado de São Paulo, está em terceiro lugar quando se fala de BRs com mais mortes no Brasil. No ano passado, foram registrados 282 óbitos na via.
Combate ao crime
Ainda de acordo com o balanço, Minas aparece em terceiro lugar no ranking nacional de combate ao contrabando de cigarros, com a apreensão de 3,4 milhões de maços ao longo do ano de 2025.
À frente estão o Paraná, que lidera com 26,3 milhões de maços apreendidos, seguido por Mato Grosso do Sul, com 9,8 milhões. Em todo o país, foram apreendidos 48,3 milhões de maços, segundo os dados do órgão.
No campo da repressão ao tráfico de drogas, as rodovias federais mineiras também aparecem com destaque. O estado figura entre os que mais apreenderam maconha no último ano, com 33,3 toneladas. Em âmbito nacional, as apreensões somaram 719 toneladas, volume do qual Minas responde por cerca de 4,6%.
Os maiores volumes estão concentrados no Paraná (287,9 toneladas), em Mato Grosso do Sul (268,7 toneladas), e em São Paulo (35,9 toneladas). Os números indicam a utilização de trechos das rodovias federais que cortam Minas como rotas de escoamento da droga, em razão da extensão da malha rodoviária do estado.
Histórico da 381
Como mostrou O Fator na última semana, a BR-381 liderou o ranking nacional de acidentes por quilômetro entre 2018 e 2024, com média de 3,24 ocorrências a cada mil metros, segundo estudo da Fundação Dom Cabral (FDC).
Apesar de ter menor extensão que as BRs 101 e 116, a rodovia mineira apresentou os piores índices proporcionais de acidentes e também a maior taxa de mortalidade no período analisado.
A estrada tem cerca de 899 quilômetros e é dividida em dois trechos principais: o BH–São Paulo, conhecido como Fernão Dias, totalmente duplicado, e o BH–Governador Valadares, ainda com longos segmentos de pista simples.
Embora o apelido “Rodovia da Morte” esteja associado ao trecho em direção ao Vale do Rio Doce, os dados mostram que a média de acidentes por quilômetro é maior na Fernão Dias, em razão do tráfego mais intenso.
No entanto, os acidentes mais graves, com maior número de mortes, concentram-se no trecho não duplicado, onde são comuns colisões frontais. Entre 2018 e 2024, a taxa de mortalidade da BR-381 foi de 21,1%, superior à das BRs 101 e 116. Apenas 3,7% dos acidentes na rodovia mineira terminaram sem mortos ou feridos.
Em números absolutos, a BR-101 lidera com mais de 10 mil registros, seguida pela BR-116, enquanto a BR-381 aparece em terceiro lugar, com 2.916 ocorrências. Pesquisadores da FDC atribuem parte do problema às características da pista simples e defendem a duplicação como fator central para a redução de acidentes.