Mudança no Orçamento de Minas para 2027 aumentará déficit em mais de R$ 1,5 bilhão

Rombo, anteriormente perto dos R$ 8,9 bilhões, ficará em aproximadamente R$ 10,5 bilhões; aumento nas despesas justifica alteração
A Cidade Administrativa
Próximo exercício será o primeiro de Minas sob Cleitinho Azevedo. Foto: Luiz Santana/ALMG

A mudança feita pela equipe do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2027 vai aumentar em mais de R$ 1,5 bilhão o déficit previsto para o ano que vem. Agora, apurou O Fator, o rombo estimado é de aproximadamente R$ 10,5 bilhões.

A primeira versão do texto, encaminhada na semana passada à Assembleia Legislativa (ALMG), previa prejuízo de quase R$ 8,9 bilhões. O próximo exercício será o primeiro do estado sob a gestão do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos).

A atualização nos cálculos, que ainda não chegou à ALMG, decorre da decisão do Palácio Tiradentes de recompor o orçamento do Tribunal de Justiça (TJMG). O atendimento à base pedida pela Corte fará as despesas, anteriormente fixadas em R$ 153,8 bilhões, chegarem perto dos R$ 155,5 bilhões. Esse incremento justifica a ampliação do déficit em seguramente mais de R$ 1,5 bilhão além do valor atual.

As receitas, por seu turno, permanecem em cerca de R$ 144,9 bilhões.

Como O Fator já mostrou, em troca do aceite ao pedido do TJMG, Simões pediu ao presidente da Corte, o desembargador Vicente de Oliveira, que o Tribunal mantenha o acordo pelo qual ajuda a pagar despesas do Executivo no sistema de Justiça, como obras em presídios. A solicitação foi aceita, segundo relatos de interlocutores do governo.

Por que uma nova versão precisou ser feita?

Conforme integrantes da administração estadual, o TJMG pede há anos aumentos acima da inflação. Em 2024, o Executivo avisou que, para 2025, os Poderes teriam suas previsões ampliadas apenas pela inflação. 

Naquele ano, após um acordo costurado entre as partes, o governo, então sob Romeu Zema (Novo), aceitou aumentar em 18% o orçamento do TJMG, sob a condição de o Tribunal passar a custear as despesas já citadas. O acerto, tema de um documento de cooperação técnica, foi renovado para o orçamento de 2026.

Para 2027, Simões defendeu que o acordo fosse fechado antes do envio do projeto à Assembleia, em 30 de setembro. Segundo fontes do governo, o tribunal alegou que não conseguiria concluir os trâmites internos a tempo. O Executivo, então, reduziu a verba do TJMG. Depois, houve recálculo de rota e a construção da nova versão da peça orçamentária.

Acima da LDO

O déficit calculado no PLOA é, como de praxe, superior ao estimado na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), sancionada em agosto e uma espécie de guia para a elaboração da versão final da peça. 

À ocasião, o prejuízo previsto era de R$ 7,67 bilhões.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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