O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi orientado por aliados a não atacar diretamente o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante o 2° turno. A recomendação foi apresentada nas reuniões realizadas desde segunda-feira (5), em Brasília (DF), para definir a estratégia de comunicação da campanha.
O Fator apurou que a avaliação é de que Lula precisa ocupar as redes para falar diretamente com o eleitor, mas não deve assumir pessoalmente os embates travados nesse ambiente. A tarefa ficaria com um grupo de deputados eleitos justamente pela força que construíram nas plataformas digitais, entre eles, a mineira Ana Elisa, que participou das reuniões na capital federal.
A orientação considera o peso de Nikolas no ambiente digital. O deputado foi o mais votado do país e consolidou uma forte presença nas redes sociais, onde costuma responder diretamente a adversários políticos.
A estratégia ganhou força após o episódio envolvendo a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Depois de ser chamado de “piá de bosta” por ela, Nikolas respondeu pelas redes sociais e acabou assumindo o protagonismo do episódio. Para aliados do chefe do Executivo, o caso mostrou o risco de transformar uma resposta ao deputado em uma disputa que termina ampliando sua exposição.
Por isso, a ideia é formar uma espécie de esquadrão online da campanha. Os parlamentares que integram esse grupo devem fazer o contraponto a Nikolas utilizando a própria linguagem das redes, enquanto Lula concentra sua atuação na conversa direta com o eleitor e na apresentação das propostas da campanha.
Menos Janja, mais Alckmin
A estratégia discutida pelos aliados também prevê reduzir o protagonismo de Janja e ampliar o espaço de Geraldo Alckmin (PSB) na campanha, inclusive nas redes sociais.
O vice-presidente é visto dentro da campanha como uma liderança que pode assumir mais espaço na comunicação digital e na interlocução com eleitores de centro. A defesa de um “melhor uso” do capital político de Alckmin também apareceu nas discussões sobre os ajustes para o segundo turno.
A mudança ocorre em paralelo à convocação de deputados com forte presença digital para a nova fase da campanha. Alckmin, inclusive, já teve uma agenda nas redes com Ana Elisa nesta semana, em uma publicação que recebeu repercussão.